Cúpula africana rejeita críticas públicas a Mugabe

UA pressiona presidente do Zimbábue para negociar governo de coalizão com opositor; EUA ameaçam sanções

Agência Estado e Associated Press,

30 de junho de 2008 | 19h32

Líderes africanos reunidos nesta segunda-feira, 30, no Egito ignoraram os pedidos da comunidade internacional para criticar publicamente o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe - no poder desde 1980 e empossado no domingo para seu sexto mandato. Reunidos na cúpula da União Africana (UA) em Sharm el-Sheik, no Egito, representantes da região pressionaram Mugabe para negociar um governo de coalizão com o opositor Morgan Tsvangirai.   Veja também:  EUA ameaçam agir unilateralmente contra o Zimbábue ONU pede à União Africana solução negociada para o Zimbábue Tsvangirai: de líder sindical a inimigo do regime Mugabe: uma história de 3 décadas no poder    Durante os discursos da reunião, a maioria dos líderes africanos falou sobre os "desafios" no Zimbábue, mas ninguém criticou diretamente Mugabe, preferindo falar de outras questões referentes ao continente. Uma resolução feita por chanceleres da UA, que deve ser analisada durante os dois dias da cúpula, também não criticou Mugabe nem o segundo turno no país - só recomendou diálogo entre as duas partes.   O governo sul-africano - cujo presidente Thabo Mbeki foi o principal mediador da crise - pediu pela primeira vez uma reunião entre Mugabe e Tsvangirai para que fosse discutido um governo compartilhado.   O líder opositor retirou-se da disputa presidencial no dia 22 por causa da onda de violência no país. Tsvangirai, que desde então está refugiado na embaixada holandesa em Harare, afirma que mais de 90 de seus partidários foram mortos desde o primeiro turno, em 29 de março. Ele pediu nesta segunda para os líderes da UA não reconhecerem o resultado do segundo turno, realizado na sexta-feira.   Grande parte dos líderes africanos têm laços estreitos com Mugabe e o respeitam por sua atuação na guerra da independência do Zimbábue e, por isso, têm dificuldade em condenar as ações do presidente. No entanto, nem todos os líderes mantiveram silêncio durante a reunião no Egito.   Quênia   O primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, pediu que a UA suspendesse Mugabe. "Eles deveriam suspendê-lo e mandar forças de paz para o Zimbábue para garantir eleições livres e justas", afirmou Odinga, em Nairóbi. O presidente queniano, Mwai Kibabi, porém, disse que a única solução para o problema do país é um governo de coalizão.   Sanções americanas   O governo americano redigiu um projeto de resolução para o Conselho de Segurança da ONU prevendo novas sanções contra o Zimbábue. O documento contém um embargo a armas e também medidas individuais contra acusados de prejudicar o processo democrático no país.   A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, disse que os EUA estão prontos para novas sanções diplomáticas e econômicas contra o governo de Mugabe em "uma ou duas semanas."

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