Cúpula árabe no Iraque põe pressão sobre Assad

Países da Liga Árabe, reunidos em Bagdá, exortarão hoje Damasco a cumprir sua palavra e implementar reformas

BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

29 Março 2012 | 03h03

Reunidos em Bagdá, chanceleres dos 22 países da Liga Árabe prepararam ontem uma posição comum condenando a Síria e exortando o regime de Bashar Assad a cumprir sua palavra e implementar o plano de paz formulado por Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU e enviado especial do grupo. Hoje, ocorre no Iraque a reunião de cúpula do bloco árabe.

Ao sediar a cúpula da Liga Árabe, o governo do Iraque tenta demonstrar que, mesmo sem a presença americana, o país caminha para a estabilidade e o progresso econômico. É o primeiro encontro do grupo em Bagdá desde que o ditador Saddam Hussein invadiu o Kuwait.

A reunião, porém, ocorre à sombra de novos atentados de grupos radicais sunitas - no dia 21, atentados em série em várias cidades iraquianas mataram 52 e feriram 250.

Damasco rejeitou de antemão qualquer proposta que será feita hoje em Bagdá. Um porta-voz da chancelaria síria disse que Assad "não lidará com nenhuma iniciativa" da Liga Árabe, da qual foi suspenso em novembro ao ignorar apelos para encerrar a repressão na Síria.

Dentro da organização dos países árabes, porém, não há consenso sobre até onde ir em relação à violência síria. Países do Golfo, como Arábia Saudita e Catar, querem armar a oposição local e criar zonas de exclusão dentro do território sírio, para proteção e treinamento de militantes anti-Assad. O novo governo da Líbia, que derrubou o ditador Muamar Kadafi, também defende um apoio armado aos "irmãos sírios"

Mas outros países, como o anfitrião da cúpula, o Iraque, têm posições bem mais moderadas. Bagdá é governada pela maioria xiita, próxima ao Irã - principal aliado de Damasco. Além disso, o Iraque tem uma ampla fronteira com a Síria e teme que o colapso do regime Assad crie uma situação de anarquia no país vizinho, que beneficiaria militantes islâmicos.

O chanceler iraquiano, Hoshyar Zebari, afirmou que a liga "não pode ficar neutra diante dos massacres na Síria" e o Iraque "apoia totalmente as aspirações e reivindicações legítimas do povo sírio por liberdade e democracia". Mas Zebari criticou a ideia de intervir militarmente no conflito e alertou para os riscos de uma "internalização" da crise no país vizinho.

ONU. O secretário-geral das Nações Unidas, o sul-coreano Ban Ki-moon, "exortou fortemente"ontem Assad a cumprir sua palavra e aplicar os seis pontos que constam no plano de paz de Annan. "Não há tempo a perder", afirmou o secretário-geral, no Kuwait. /AFP

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