Cúpula começou morna e terminou quente

Reunião no Chile não teve resultados práticos, mas rendeu frases polêmicas

Reuters, Santiago, O Estadao de S.Paulo

12 de novembro de 2007 | 00h00

Se a 17ª Cúpula Ibero-americana, realizada no Chile, não decidiu muita coisa em termos práticos, pelo menos rendeu boas frases e terminou em grande estilo com a polêmica envolveu o explosivo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e o até então comedido rei da Espanha, Juan Carlos I.Uma das razões que explicariam o fracasso da cúpula seria, de acordo com muitos analistas, a escolha de um tema polêmico para compor a agenda da reunião: coesão social. O assunto permitiu traçar com precisão a fronteira entre as políticas populistas e os modelos sociais-democratas que estão sendo postos em prática no continente. A primeira pessoa a tentar colocar panos quentes na discussão foi a anfitriã, a presidente chilena, Michelle Bachelet. Ela disse em entrevista à imprensa, logo após o bate-boca, que as disputas refletiam a "diversidade" das posturas e o aspecto "apaixonado" da reunião. "O debate não tem de assustar ninguém. Não há que se dramatizar os debates", disse Bachelet. As declarações da presidente do Chile, no entanto, só serviram para demonstrar a falta de sintonia entre os governos presentes na cúpula de Santiago.No fim, apesar das brigas, os presidentes ibero-americanos conseguiram fechar acordos e aprovaram uma "Declaração de Santiago", que prevê a formulação de ações para aumentar a coesão social entre os países do bloco. Entretanto, coesão é o que menos se vê nos países ibero-americanos. Néstor Kirchner, presidente da Argentina, e Tabaré Vázquez, do Uruguai, não participaram do encerramento da cúpula. Os dois vivem às turras por causa da inauguração de uma usina de celulose na fronteira dos dois países (leia matéria na página 9). A intermediação do conflito é da Espanha, duramente acusada na reunião por Venezuela e Nicarágua. FRASESJuan Carlos IRei da Espanha"Por que você não se cala?", a Chávez na 17ª Cúpula Ibero-Americana no ChileHugo ChávezPresidente da Venezuela"Senhor rei, responda, o senhor sabia do golpe de Estado contra a Venezuela, contra seu governo democrático e legítimo?""É muito difícil pensar que o embaixador espanhol esteja no palácio apoiando os golpistas sem a autorização de sua Majestade, já que é o rei quem dirige a política exterior da Espanha.""Exijo respeito porque também sou um chefe de Estado.""Ele (o rei) é tão chefe de Estado quanto eu, com a diferença de que fui eleito três vezes."Luiz Inácio Lula da SilvaPresidente do Brasil"O vínculo não é entre Evo e Lula e sim entre Bolívia e Brasil, e tem de ser definitivo. Os contratos têm de ser entre Estado e Estado e não entre amigo e amigo."Daniel OrtegaPresidente da Nicarágua"Se não se dá o direito de falar, esta cúpula não tem sentido, então não vou me limitar a três minutos", em resposta ao tempo que a presidente chilena, Michelle Bachelet, deu a ele para falarRafael CorreaPresidente do Equador"É absurda a reeleição indefinida porque a democracia implica alternância de poder.""Qual é o problema? Por que vocês têm tanta fixação com o Hugo Chávez?", em resposta às perguntas da imprensa sobre sua amizade com o líder venezuelano

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