Cúpula cria fundo de US$ 1 bi para Jerusalém

O objetivo é manter o caráter árabe e muçulmano da parte oriental da cidade

DOHA, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2013 | 02h07

A Liga Árabe aprovou ontem uma proposta feita pelo Catar para a criação de um fundo de US$ 1 bilhão para Jerusalém Oriental, área reivindicada pelos palestinos como capital de seu futuro Estado.

Segundo os árabes, a construção de assentamentos israelenses em terras capturadas na Guerra dos Seis Dias, em 1967, incluindo Jerusalém Oriental, torna inviável uma solução com dois Estados, como defendem os Estados Unidos.

O emir do Catar, xeque Hamad bin Khalifa Al-Thani, disse que seu país contribuirá com US$ 250 milhões para o fundo, cuja criação ele propôs em seu discurso de abertura da cúpula da Liga Árabe em Doha.

"A cúpula propõe o estabelecimento de um fundo para apoiar Jerusalém no valor de US$ 1 bilhão com o objetivo de financiar projetos e programas que mantenham o caráter árabe e islâmico da cidade e reforcem a disposição do seu povo", disse a proposta de resolução.

O Banco Islâmico de Desenvolvimento, com sede na Arábia Saudita, vai administrar o fundo, segundo o texto preliminar.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, saudou a criação do fundo e pediu a Estados árabes que contribuam.

"A ocupação israelense está, de forma sistemática e rápida, trabalhando para tornar Jerusalém Oriental judaica, alterar suas características e erradicar os habitantes palestinos, atacando a Mesquita de Al-Aqsa e seus locais sagrados islâmicos e cristãos", disse Abbas em discurso durante a reunião de cúpula.

O porta-voz da chancelaria israelense, Yigal Palmor, afirmou que a iniciativa é um "distintivo de vergonha" para o Catar.

"Objetar a 'judaização de Jerusalém', digamos assim, é absurdo e equiparável a uma objeção à natureza católica do Vaticano ou à islamização de Meca, é naturalmente impensável", disse Palmor.

Citando laços judaicos bíblicos, Israel anexou em 1980 a parte oriental de Jerusalém e arredores, sem reconhecimento internacional. O destino da cidade foi um dos pontos de maior divergência em processos de paz entre palestinos e israelenses no passado.

O emir do Catar não explicou se as verbas do fundo árabe serão destinadas à Autoridade Palestina, que controla partes da Cisjordânia ocupada, mas nada de Jerusalém Oriental.

Cerca de 200 mil israelenses vivem na parte árabe de Jerusalém, sendo mais de mil na Cidade Velha e seus arredores. / REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.