Cúpula da OMC diverge sobre Internet

A primeira cúpula mundial organizada pela ONU sobre o futuro da sociedade da informação corre o sério de fracassar antes mesmo de ser inaugurada, no próximo mês em Genebra. Os mais de 160 países que farão parte da conferência tinham até ontem para fechar um rascunho do acordo, mas divergências sobre o controle da Internet acabaram impedindo um entendimento. As negociações entre os técnicos poderão continuar neste final de semana, em Genebra, ou uma nova reunião poderá ser marcada para o início de dezembro. Mas os organizadores reconhecem que apenas um milagre pode evitar o fracasso. Diante dos problemas, vários chefes-de-estado que já haviam confirmado suas participações na cúpula, em dezembro na Suíça, estão colocando em dúvida suas viagens. "O governo canadense, por exemplo, já avisou que seu primeiro-ministro (Jean Chrétien) apenas irá à Genebra para a cúpula se houver um acordo a ser assinado", reconheceu Pierre Gagné, diretor-executivo da conferência, visivelmente abatido diante dos problemas. "Estou decepcionado", completou, lembrando que apenas 70% do texto do acordo está fechado. A esperança da ONU era de que a cúpula se tornasse um novo marco internacional, assim como foi a ECO-92, realizada no Rio de Janeiro. Mas para que isso ocorra, muitos países terão que flexibilizar suas posições. O principal motivo do impasse é a insistência dos países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, de que a Internet seja controlada por um organismo internacional, e não apenas por uma empresa em um país, no caso os Estados Unidos. Na avaliação desses países, uma democratização do controle sobre a rede mundial de computadores tornaria a tecnologia mais acessível às populações mais carentes. Outro tema que está gerando enfrentamentos é o que se refere à segurança das redes de telecomunicações. A liberdade de acesso a informações está também gerando um forte debate, principalmente entre os países com regimes pouco democráticos. Para completar, os governos africanos insistem na criação de um fundo internacional para financiar a construção de infra-estrutura de telecomunicações nos países pobres, proposta rejeitada pela Casa Branca. Por enquanto, dos 53 chefes-de-estado confirmados para o evento, apenas sete são de países ricos. Nem mesmo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, supostamente um dos principais atores do mundo em desenvolvimento, confirmou sua participação. Os organizadores do evento revelaram ao Estado que o chefe-de-estado brasileiro sequer sabia do evento há poucos meses, quando as negociações já estavam ocorrendo de forma intensa.

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