Cúpula da ONU reconhece acordo climático

A cúpula climática da Organização das Nações Unidas conseguiu evitar um fracasso total para o encontro, após concordar, neste sábado (dia 19) em reconhecer um acordo político mediado pelo presidente dos EUA, Barack Obama, com a China e outros países emergentes. A decisão foi tomada após uma sessão plenária que se estendeu durante toda a madrugada, na qual um pequeno grupo de países bloqueou o "Acordo de Copenhague", nome que foi dado ao texto, porque este não contava com objetivos específicos de redução de emissões de gases de efeito estufa. Após um breve recesso, o presidente da cúpula tomou a decisão de considerar o "Acordo de Copenhague", especificando, no entanto, quais eram os países consensuais com o título do documento.

PATRICIA LARA, Agencia Estado

19 de dezembro de 2009 | 10h02

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, afirmou que o acordo constitui uma primeira "etapa essencial" para a adoção de um tratado de luta contra o aquecimento global. "Talvez não seja tudo o que esperávamos, mas essa decisão da conferência das partes é uma etapa essencial", declarou Ban, em entrevista coletiva concedida neste sábado.

O "Acordo de Copenhague" foi forjado por chefes de Estado e governos de 30 países industrializados, emergentes, em desenvolvimento e validado após um procedimento especial pela cúpula. Vários países em desenvolvimento, incluindo a Bolívia, Cuba, Sudão e Venezuela, classificaram como inaceitável o acordo por não ter objetivos específicos de redução de gases.

O acordo prevê US$ 30 bilhões em financiamento ao longo dos próximo três anos aos países pobres para combater a mudança climática. Pela proposta apresentada, os EUA vão contribuir com US$ 3,6 bilhões no período de três anos, 2010-12. No mesmo período, o Japão vai contribuir com US$ 11 bilhões e a União Europeia com US$ 10,6 bilhões. O texto do acordo, divulgado na sexta-feira, diz que os US$ 30 bilhões prometidos virão de "recursos novos e adicionais", não da ajuda existente. O financiamento de longo prazo virá de fontes públicas e privadas.

Não foram estabelecidas metas para redução de emissão de CO2, embora as nações tenham se comprometido a fazer cortes em seus níveis. De acordo com o anúncio de Obama, os países desenvolvidos e em desenvolvimento concordaram em listar suas ações nacionais e compromissos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Haverá um mecanismo para enviar recursos para ajudar os países em desenvolvimento a pagar por tecnologia e projetos para se ajustarem às mudanças climáticas, como a elevação dos níveis dos mares.

Obama retornou neste sábado aos EUA. O avião que transportava o presidente pousou na Base da Força Aérea de Andrew, nos arredores de Washington, após uma forte tempestade no início da manhã impedir que o retorno fosse mais cedo.

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