Tracy Schuhmacher/Democrat and Chronicle via USA TODAY
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Cúpula da polícia de Rochester se aposenta após morte de negro que foi encapuzado

Anúncio surpresa foi feito pela prefeita durante uma reunião com o conselho municipal; manifestantes também querem a renúncia dela

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2020 | 18h17

ROCHESTER, EUA - Os principais líderes da polícia na terceira maior cidade do Estado de Nova York, Rochester, vão se aposentar em massa em meio a críticas à maneira como a cidade lidou com a morte por asfixia de Daniel Prude, o homem negro que foi encapuzado pelos agentes.    

A informação foi divulgada pela prefeita Lovely Warren, que explicou que o chefe da polícia da cidade, La'Ron Singletary, assim como o subchefe, Joseph M. Morabito, estão se aposentando. Outros comandantes, segundo ela, devem fazer o mesmo.

 

O anúncio surpresa das aposentadorias foi feito durante uma reunião online presidida por Warren na Câmara Municipal. Os membros do conselho municipal esperavam que os chefes de polícia comparecessem pessoalmente para discutir os protestos desencadeados pelo caso de Prude, de 41 anos, que morreu alguns dias após a abordagem, em 23 de março.

"Como todos sabem, este tem sido um momento muito desafiador para a cidade de Rochester, e o chefe de polícia não foi convidado a renunciar porque eu acredito que ele está dando o melhor de si", disse Warren aos membros do conselho.

Em uma declaração enviada por e-mail à rádio WXXI, Singletary disse na terça-feira que os eventos da semana passada (protestos) foram uma "tentativa de destruir meu caráter e integridade".

"Os membros do Departamento de Polícia de Rochester e da Comunidade da Grande Rochester conhecem minha reputação e sabem o que defendo", disse ele no comunicado. “A descaracterização e politização das ações que tomei após ser informado da morte do sr. Prude não se baseiam em fatos, e não é o que defendo."

Singletary, que passou toda a sua carreira dentro do Departamento de Polícia de Rochester, foi nomeado chefe em abril de 2019. Ele disse que espera continuar a servir a comunidade em seu "próximo capítulo".

Os manifestantes na cidade pediam a renúncia de Singletary e Warren, que são negros. "Essa é uma ótima notícia", disse Iman Abid, falando pela Free the People ROC, que realiza protestos todas as noites desde que os detalhes da morte de Prude surgiram. "Diz às pessoas que elas são capazes de mover e moldar coisas. O chefe de polícia não se aposentaria se não fosse por algo que ele não se sentisse responsável."

No entanto, segundo Abid, os protestos noturnos continuarão a pressionar por outras demandas, incluindo a renúncia da prefeita, a retirada de fundos e desmilitarização da polícia e o desenvolvimento de uma lei estadual impedindo os departamentos de polícia de responder às crises de saúde mental.

Warren não soube informar quando as aposentadorias entram em efeito. Não estava claro quem será o responsável pela polícia se os manifestantes continuarem com os protestos, como esperado.

Os policiais encontraram Prude correndo nu pela rua, colocaram um capuz na sua cabeça para impedi-lo de cuspir nos agentes, então o seguraram por cerca de dois minutos até que ele parou de respirar. Ele morreu uma semana depois de ter sido retirado do aparelho de suporte à vida.

Seu irmão, Joe Prude, ligou para o 911 em busca de ajuda diante do comportamento incomum de Daniel Prude. Ele foi levado a um hospital para uma avaliação de saúde mental mais cedo naquela noite, mas foi liberado após algumas horas, como explicou seu irmão aos oficiais.

Sua morte gerou indignação depois que seus parentes liberaram as imagens das câmeras presas aos uniformes dos policiais que fizeram a abordagem, assim como os relatórios obtidos por meio de uma solicitação de registros públicos.

Sete policiais foram suspensos um dia depois, e a procuradora-geral do Estado, Letitia James, disse no sábado que formaria um grande júri e conduziria um "investigação exaustiva" sobre a morte de Prude. Oficiais do sindicato da polícia disseram que os policiais estavam em treinamento. / AP  

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