Cúpula da Unasul é teste para liderança do Brasil na região, diz 'El País'

Para jornal, fracasso de reunião seria fracasso do país, que busca consolidar liderança na região.

BBC Brasil, BBC

28 de agosto de 2009 | 07h06

Um eventual fracasso da cúpula da Unasul (bloco dos países da América do Sul) seria também um fracasso para a tentativa do Brasil de mostrar liderança na região, segundo afirma artigo publicado nesta sexta-feira pelo jornal espanhol El País.

O texto observa que a cúpula desta sexta-feira em Bariloche, na Argentina, tem como principais objetivos "tanto desativar o conflito surgido entre Colômbia e Venezuela a propósito da decisão de Bogotá de permitir o acesso de tropas americanas a sete bases militares próprias quanto proteger a existência da própria Unasul".

O artigo comenta que "o Brasil, principal impulsor da Unasul, tenta fazer com que a reunião termine com um desacordo não traumático, mas o presidente venezuelano, Hugo Chávez, já deixou entrever que a reconciliação é impossível e que não descarta anunciar ali mesmo em Bariloche a ruptura de relações com a Colômbia".

Para o jornal, "um fracasso estrepitoso da cúpula implicaria também o fracasso do Brasil e prejudicaria sua intenção de consolidar sua liderança no continente precisamente por meio de organismos como a Unasul".

O artigo observa que a União das Nações Sul-Americanas nasceu há apenas quatro anos com o objetivo de integrar os países da região e facilitar o diálogo sobre temas específicos do continente.

"O Brasil não está contente com a decisão colombiana de autorizar o uso de suas bases, mas aceita que é um fato e se conforma com que a Colômbia dê seguranças de que só poderão ser usadas pelos Estados Unidos dentro do próprio território colombiano", diz o jornal.

Conselho

O artigo comenta, porém, que o acordo entre Colômbia e Estados Unidos contrariaria a proposta da Unasul de se evitar alianças militares fora do bloco e questionaria a razão de ser do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS), criado pela Unasul para dar respostas conjuntas aos desafios de segurança na região.

"O presidente Lula vem manobrando em todas as direções para impedir que a iniciativa colombiana e a irada resposta de Caracas acabem com o CDS, que nunca despertou a menor simpatia entre os militares norte-americanos", afirma o jornal.

O artigo observa que Lula pediu, em encontro com o presidente americano, Barack Obama, garantias jurídicas de que as bases não serão usadas a não ser para o combate ao narcotráfico e o terrorismo na Colômbia, mas que Obama deixou nas mãos da Colômbia a tarefa de dar explicações sobre o acordo.

O jornal observa que a pressão levou o presidente Álvaro Uribe a visitar vários países da região para explicar o acordo e também a confirmar sua presença na reunião de Bariloche. Uribe não havia comparecido à cúpula anterior da Unasul, no Equador.

Apesar disso, Uribe quer que a cúpula também discuta o aumento dos gastos militares da Venezuela e de outros países sul-americanos que estão comprando armamentos de China e de Rússia.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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