Cúpula das Américas termina sem consenso sobre Cuba

A VI Cúpula das Américas, um encontro de quase 30 chefes de governo e Estado das Américas, terminou neste domingo na Colômbia sem uma declaração formal conjunta, o que refletiu visões divergentes sobre Cuba e sobre a reivindicação de soberania da Argentina sobre as Ilhas Malvinas (Falkland). "Não existe declaração porque não existe consenso", disse o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, na coletiva de imprensa do fechamento da VI Cúpula.

ANDRÉ LACHINI, Agência Estado

15 de abril de 2012 | 19h27

O governo dos Estados Unidos, apoiado pelo Canadá, ficou contrário aos amplos pedidos para que fosse incluída na declaração final do encontro uma referência que afirmasse que Cuba deveria ser convidada a participar das futuras cúpulas das Américas. A VII Cúpula deverá ocorrer na Cidade do Panamá em 2015.

EUA e Canadá também não quiseram que houvesse uma menção de apoio ao pedido argentino de soberania sobre as Ilhas Malvinas (Falkland).

"Todos os países aqui na América Latina e no Caribe querem que Cuba esteja presente. Mas os EUA não aceitam", disse o presidente da Bolívia, Evo Morales. "É como uma ditadura".

Evo e alguns outros líderes de esquerda insistiram que essa será a última Cúpula das Américas realizada sob o apoio da Organização dos Estados Americanos (OEA), a menos que Cuba seja convidada para a próxima reunião. O presidente colombiano, contudo, garantiu que os líderes concordaram em realizar a VII Cúpula das Américas em 2015 na Cidade do Panamá. "Tenho esperanças de que, em três anos, teremos Cuba" na reunião, disse Santos.

Os chanceleres da Venezuela, Argentina e Uruguai disseram que seus presidentes não assinarão nenhuma declaração formal a menos que os EUA e o Canadá removam seu veto à futura participação de Cuba. A questão cubana levou o presidente do Equador, Rafael Correa, a boicotar a VI Cúpula das Américas. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, também não participou do encontro, mas Chávez avisou na noite de sexta-feira que viajaria a Havana, onde recebe tratamento de radioterapia contra o câncer. As informações são da Associated Press.

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