Cúpula de Açores tira ONU da coreografia da guerra

"Amanhã será um momento de verdade para o mundo", disse neste domingo o presidente dos Estados Unidos, George Bush. O recado da cúpula de Açores é claro: foi dado um prazo de 24 horas para que a comunidade internacional cerre fileiras com EUA, Reino Unido e Espanha.Se isso não acontecer - e ninguém acredita que isso acontecerá diante da posição francesa - George Bush apresentará nesta segunda-feira à noite, em discurso transmitido aos norte-americanos, um ultimato final a Saddam Hussein, e aconselhará os estrangeiros que permanecem no Iraque a sair do país.Será um declaração de guerra, e a partir daí o início do conflito estará muito próximo, talvez uma questão de horas. A necessidade da aprovação pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas de uma nova resolução autorizando a ofensiva militar foi claramente engavetada por Bush, Tony Blair e José María Aznar.Blair, que enfrenta uma forte oposição contra uma guerra em seu país, inclusive no seu Partido Trabalhista, e que pretendia aprovar uma nova resolução na ONU para ter pelo menos um colchão moral para empregar as tropas britânicas no Golfo Pérsico, parece ter jogado a toalha aos argumentos das autoridades Washington, que sempre se mostraram céticas a um eventual apoio das Nações Unidas.As apostas estão praticamente feitas e as próximas semanas mostrarão os resultados. Um conflito rápido, com a queda de Saddam Hussein, sem muitas vítimas e com provas de que o Iraque escondia armas de destruição em massa, irá resultar em muitos frutos positivos para Bush e Blair.Uma guerra prolongada, com muitas vítimas,instabilidade em outros países da região e turbulência na economia global, poderiacolocar em xeque o futuro político dos dois líderes.

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