Cúpula de Havana reforça integração contra os EUA

Os presidentes de Cuba, Fidel Castro, da Bolívia, Evo Morales, e da Venezuela, Hugo Chávez, aliados que compartilham a inimizade com os Estados Unidos, vão avançar no processo de integração, neste sábado, com a assinatura de um novo tratado comercial. Os órgãos oficiais cubanos chamaram de "histórica" a minicúpula. Mas foram poucos os detalhes revelados sobre a reunião. Só é certo que os três vão assinar o Tratado de Comércio dos Povos (TCP) proposto por Morales. O TCP faz parte da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), assinada em maio do ano passado por Fidel e Chávez como alternativa à Área de Livre-Comércio das Américas (Alca) proposta pelos Estados Unidos. A Bolívia é a nova integrante do grupo. Descolonização Em sua primeira visita à ilha desde que assumiu a presidência boliviana, Morales disse que a reunião "será um passo à frente no projeto de mudar o sistema neoliberal que predomina no continente, e um incentivo ao processo de descolonização da Bolívia". Antes de viajar para Havana, Morales anunciou que o acordo permitirá o comércio de algumas mercadorias, entre elas a folha de coca e a soja, com tarifa zero, embora ainda não tenha sido divulgada a lista de produtos incluídos no convênio nem a data de entrada em vigor do Tratado. Mas o acordo tem conseqüências que vão muito além do plano econômico. A maioria dos analistas destaca o caráter político da iniciativa. Chávez, que chegou a Havana acompanhado pelo dirigente sandinista nicaragüense Daniel Ortega, afirmou diante de Castro e Morales, que o receberam no aeroporto, que "a cada dia o projeto de Bolívar se consolida mais". Brasil e Argentina O venezuelano se encontrou esta semana com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e com o presidente da Argentina, Néstor Kirchner. Os três discutiram o projeto do Gasoduto do Sul, que levaria gás natural da Venezuela até o Brasil. Ele acredita que a obra pode ser uma "locomotiva" da integração regional. A intenção de Chávez é convidar outros países sul-americanos a aderir à iniciativa. O primeiro deve ser a Bolívia, que tem as maiores reservas de gás do continente depois da Venezuela. Além disso, a minicúpula deve discutir o conflito aberto por Chávez quando anunciou que a Venezuela vai sair da Comunidade Andina (CAN), em protesto contra a negociação de acordos de livre-comércio com os Estados Unidos por parte de Colômbia e Peru. O presidente venezuelano entrou na campanha eleitoral peruana, desqualificando o candidato social-democrata, Alan García, e apoiando o nacionalista Ollanta Humala, que conta também com a simpatia de Morales. A interferência agravou a crise com o Peru. Bush Chávez manteve o tom de suas críticas ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, a quem acusou de ter "uma profunda afinidade com os terroristas". "Bush é um terrorista que chegou a chefe de Estado e quer aterrorizar ao mundo inteiro", disse, em cadeia nacional de rádio e televisão. O venezuelano não estará sozinho nas críticas a Bush durante a Cúpula de Havana. A previsão é de que a reunião inclua um ato na emblemática Praça da Revolução, com a presença dos três dirigentes, após a assinatura do tratado. Evo Morales, líder do Movimento ao Socialismo, visitou Cuba em sua primeira viagem ao exterior como presidente eleito, nos dias 30 e 31 de dezembro, para assinar um acordo para a formação em Cuba de 5 mil médicos bolivianos. Chávez, por sua vez, visitou a ilha cerca de 10 vezes, a última em fevereiro, para receber o prêmio José Martí, da Unesco.

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