Cúpula de Israel se divide sobre próxima fase

Olmert e Barak querem ampliar ação e Tzipi quer trégua, segundo jornais

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

10 de janeiro de 2009 | 00h00

Israel está numa encruzilhada no que diz respeito à definição dos rumos da ofensiva militar na Faixa de Gaza. O gabinete de segurança reuniu-se ontem pela segunda vez em menos de três dias, mas o governo não informou oficialmente se a operação será ampliada ou reduzida, mostrando mais uma vez a divisão entre o premiê, Ehud Olmert, o ministro da Defesa, Ehud Barak e a chanceler, Tzipi Livni.Cada um deles tem uma posição sobre qual a melhor forma de prosseguir com a ofensiva sem manchar a imagem de Israel aos olhos da comunidade internacional, segundo a imprensa israelense. Tzipi estaria propensa a uma retirada imediata, seguindo a resolução da ONU e a proposta de cessar-fogo do Egito e da França. Barak e Olmert seriam favoráveis a uma ampliação da ofensiva com o uso dos reservistas, mas não concordariam sobre alguns pontos desse plano. O porta-voz de Olmert, Mark Reguev, recusou-se a dar detalhes sobre o que foi decidido na reunião de gabinete, mas disse que "a pressão militar sobre o Hamas deve continuar". Um comunicado oficial também confirmava que o governo israelense rejeitou o cessar-fogo da ONU e o "Exército continuará a agir para alterar a situação de segurança no sul do país". Israel lançou a ofensiva para eliminar a capacidade do Hamas de disparar foguetes contra o sul de seu território.Ao longo da semana, especulava-se que o Exército israelense aceleraria a ofensiva militar enquanto acordos eram negociados no campo diplomático. Os israelenses disseram que "receberam positivamente" a proposta de cessar-fogo da França e do Egito, mas não aceitaram formalmente o plano. Já a resolução do Conselho de Segurança da ONU pedindo o cessar-fogo foi rejeitada com a desculpa de que seus termos não seriam cumpridos pelo Hamas. DISPUTA POLÍTICAO fato de tanto Barak, do Partido Trabalhista (de centro-esquerda), quanto Tzipi, do centrista Kadima, serem rivais na disputa para premiê de Israel nas eleições parlamentares de 10 de fevereiro, não ajuda os israelenses nesse momento decisivo. Pelas estradas, há cartazes dos dois candidatos, que não se gostam e divergem em muitos pontos. Além deles, disputa o posto de primeiro-ministro o conservador Binyamin Netanyahu, do Likud.Os papéis sobre a ofensiva em Gaza também se inverteram ao longo dos dias. Barak no início das operações quase concordou com um cessar-fogo temporário proposto pela França. Hoje, defende continuar com os ataques. Tzipi, por sua vez, foi contrária a uma trégua inicial, mas agora acha que os israelenses deveriam se retirar do território palestino. A mudança de comportamento de Barak pode ser explicada em parte pelas pesquisas de preferência de voto. Após os primeiros dias da ofensiva em Gaza, o ministro da Defesa, que parecia fadado à derrota nas eleições, se fortaleceu e agora tem mais de 50% de aprovação.Ao contrário de Barak, Tzipi era parte do governo que fracassou na guerra contra o Hezbollah no Líbano, em 2006. Ela sabe que um novo fiasco, pode ser o fim de sua pretensão de virar premiê.

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