Cúpula de líderes africanos debate crise do continente

Chefes de Estado e representantes dos 53 países-membros da União Africana (UA) iniciaram hoje em Banjul, em Gâmbia, a sétima reunião da organização continental que tenta buscar soluções para as crises que afetam o continente.O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e seu colega iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, participaram do ato de abertura como convidados especiais. O líder líbio Muamar Kadafi, um dos primeiros participantes a chegar ao centro de conferências, deixou a sala pouco antes do ato inaugural.O ato de abertura foi presidido pelo presidente rotativo da UA, o congolês Denis Sassou Nguesso, que insistiu várias vezes na necessidade de que a África acabe com os conflitos armados que atrasam seu processo de integração e desenvolvimento econômico e social."Não há paz sem desenvolvimento e não há desenvolvimento sem paz", disse Sassou Nguesso, ao abordar as crises que castigam o continente, especialmente na região sudanesa de Darfur e na Somália, onde um regime islâmico fundamentalista tenta controlar o país apesar do Governo de transição reconhecido internacionalmente.No entanto, o presidente da UA elogiou a evolução observada na Costa do Marfim e na República Democrática do Congo, onde foram iniciados processos de paz depois de conflitos sangrentos e prolongados.Sobre a crise de Darfur, Sassou Ngueso pediu às facções em disputa que respeitem os acordos assinados em Abuja, na Nigéria, que analisou como uma "possibilidade de solução".Sassou Ngueso reafirmou a necessidade de que os grupos continuem cooperando com a UA e a ONU para conseguir que a atual trégua se transforme em uma paz duradoura.Quanto à Somália, imersa no caos desde 1991, o presidente da UA pediu aos grupos em conflito que busquem o diálogo e restabeleçam a calma, destacando que é imperativo apoiar o Governo de transição.Questão da aidsOs temas relacionados às pandemias que assolam a África também estão entre as preocupações expressadas por Sassou Nguesso, que reafirmou a necessidade de facilitar o acesso universal à prevenção e tratamento médico da aids.O líder da UA defendeu também um impulso renovado ao processo de integração econômica do continente, o que representa uma "vontade política mais firme", já que a "África tem recursos naturais e um potencial enorme para vencer o desafio do desenvolvimento".Sassou Nguesso prestou homenagem ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, cujo mandato termina em 2007. Annan apresentou um balanço dos últimos dez anos à frente da ONU e ressaltou as ações e iniciativas tomadas pelo organismo para favorecer a África em diversas áreas.Por sua parte, o presidente da Comissão da UA, Alpha Omar Konare, apresentou um balanço muito crítico do organismo continental e lamentou os atrasos na ratificação de vários acordos e lentidão dos membros para pagar suas cotas, destacando que em 2006 apenas 12 países acertaram suas dívidas.Em seu discurso de boas-vindas, o anfitrião da cúpula, o gambiano Yahya Jammeh, compartilhou as mesmas idéias, ao convidar seus colegas a "acelerar o processo de integração, condição prévia ao desenvolvimento do continente".A cúpula encerra seus trabalhos no domingo com uma entrevista coletiva de Sassou Nguesso, que divulgará as conclusões do encontro, que também tenta encontrar mecanismos que impeçam os líderes africanos de se perpetuarem no poder, seja pela força ou alterando as Constituições de seus países.

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