EFE/PRENSA MIRAFLORES
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Cúpula de Lima elevará pressão sobre Venezuela

Maduro diz que não irá, mas seu governo deve ser tema central de encontro de chefes de Estado, com discussão de novas sanções

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

08 Abril 2018 | 05h00

WASHINGTON - A participação de Nicolás Maduro foi vetada na Cúpula das Américas e ele deu indícios de que já não quer ir, mas a Venezuela será um dos principais pontos de discussão dos líderes que se reunirão sexta-feira e sábado em Lima. A viagem do presidente venezuelano ao Peru criaria um constrangimento para os anfitriões e dividiria os holofotes com o encontro oficial.

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Sua presença seria uma das possíveis surpresas do evento, que reunirá no mesmo plenário líderes de orientação ideológica contrastantes. O presidente Donald Trump estará sentado a algumas cadeiras do cubano Raúl Castro, que participará de sua última Cúpula das Américas antes de deixar o poder, no dia 19. A Casa Branca disse que não haverá interação entre os dois líderes. No ano passado, Trump congelou a reaproximação com Cuba iniciada por seu antecessor, Barack Obama, e condicionou avanços a mudanças políticas na ilha.

A grande dúvida é como o presidente americano reagirá a eventuais discursos hostis aos EUA e a ele. Eric Farnsworth, vice-presidente do Conselho das Américas, lembrou que em sua primeira cúpula, em Trinidad e Tobago, Obama ouviu impassível um discurso de 50 minutos no qual o nicaraguense Daniel Ortega denunciou o que via como um século de agressão dos EUA na região. 

“Trump reagiria de maneira totalmente diferente”, avaliou Farnsworth. Em sua opinião, as manchetes do encontro não virão da discussão sobre Venezuela ou dos debates sobre corrupção, mas da interação entre os líderes reunidos em Lima.

Farnsworth afirmou que a cúpula deveria definir compromissos específicos dos países da região para enfrentar a crise humanitária na Venezuela, coordenação na aplicação de sanções e condenação das eleições presidenciais marcadas para o dia 20 de maio. 

Muitos analistas comparam a cúpula no Peru à que foi realizada em 2005 em Mar del Plata, na Argentina, considerada a mais desastrosa das sete ocorridas até hoje. Como agora, os EUA tinham um presidente extremamente impopular na região, George W. Bush, criticado em razão de sua decisão de iniciar a guerra do Iraque, em 2003, com base em pretextos que se revelaram falsos, de que havia armas químicas no país. 

A proposta de criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), defendida por Bush, foi enterrada de vez no encontro, marcado pela presença de líderes de esquerda, como o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o anfitrião Néstor Kirchner e o venezuelano Hugo Chávez.

Richard Feinberg, especialista em América Latina e professor da Universidade da Califórnia em San Diego, afirmou que a diferença é a mudança política que ocorreu em vários países da região na direção de dirigentes mais conservadores. “Houve uma guinada para líderes mais pró-mercado. Eles não estão interessados em confronto”, avaliou.

Na avaliação de Michael Shifter, presidente do Inter-American Dialogue, a discussão sobre a Venezuela será um “teste” para todos os governos da região. “A Venezuela está mergulhada em uma crise terrível e há a expectativa de que 1,7 milhão de refugiados venezuelanos se juntem ao 1,5 milhão que já estão em outros países da região.”

Jason Marczak, diretor para América Latina do Atlantic Council, afirmou que crise de refugiados tem proporção global e exige uma resposta coordenada dos governos. “A Colômbia e o Brasil não podem arcar sozinhos com o recebimento de refugiados.” Segundo ele, a situação pode desestabilizar a região e se transformar em uma ameaça à segurança nacional dos EUA. 

Em conferência telefônica com jornalistas na quinta-feira, assessores da Casa Branca disseram que Trump quer mostrar a “liderança” dos EUA na pressão sobre Caracas. “Durante os próximos meses, nós veremos mais passos dos EUA para punir Maduro e seus comparsas”, disse um dos integrantes da equipe de Trump. Por enquanto, Washington mostra relutância em adotar sanções sobre a venda de petróleo da Venezuela.

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