Cúpula deve enxugar colegiado e renovar quadros

Poucos fora da China já ouviram falar de Zhang Gaoli ou de Li Yuanchao, mas em menos de duas semanas eles podem entrar para o grupo das sete ou nove pessoas mais poderosas da segunda maior economia do mundo, ao lado de Xi Jinping e Li Keqiang, futuros presidente e primeiro-ministro do país.

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2012 | 03h05

Zhang e Li são fortes candidatos a integrar o Comitê Permanente do Politburo, o órgão máximo de comando do Partido Comunista, cujos membros também ocupam os postos de direção do governo. Atualmente, o organismo tem nove integrantes, mas tudo indica que o número será reduzido a sete no congresso da organização que começa no dia 8.

O eventual encolhimento restabelecerá a composição que o Comitê Permanente teve entre 1992 e 2007. O menor número poderá facilitar o controle e a obtenção de consenso entre os integrantes do organismo.

A liderança de homens fortes que marcou os períodos de Mao Tsé-tung (1893-1976) e Deng Xiaoping (1904-1997) foi substituída por um modelo colegiado de governo, no qual o presidente depende da aprovação dos demais membros do Comitê Permanente do Politburo para implantar suas decisões.

O 18.º Congresso do Partido Comunista começa no dia 8 de novembro e aprovará a mais ampla mudança na cúpula da organização em uma década. Dos atuais nove ocupantes do Comitê Permanente do Politburo, apenas Xi Jinping e Li Keqiang permanecerão.

As últimas semanas foram marcadas por intensa especulação sobre quem serão os demais integrantes do organismo, em meio às negociações e quedas de braço entre as diferentes facções do partido.

O Partido Comunista está longe de ser monolítico e abrange desde esquerdistas favoráveis ao aumento da presença do Estado na economia a liberais simpáticos ao setor privado.

O processo de escolha dos futuros dirigentes é determinado em grande parte pelos atuais e ex-ocupantes do poder, entre os quais os de maior peso são o presidente Hu Jintao e seu antecessor, Jiang Zemin.

Apesar de os 2.270 delegados do congresso terem teoricamente direito de voto, as decisões sobre os ocupantes dos órgãos de direção já estarão tomadas antes do início do encontro, em discussões que ocorrem nos bastidores do partido. Os integrantes do Politburo, composto por 25 pessoas, se encontraram na semana passada para discutir a agenda do congresso. / C.T.

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