Cúpula do Bric testa posição do Brasil com Irã

País busca apoio da China e da Rússia contra sanções e a favor de uma saída negociada para o impasse iraniano

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

A 2.ª Reunião de Cúpula do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), amanhã em Brasília, está sendo considerada o teste definitivo da posição brasileira sobre o Irã. O encontro restrito de chefes de Estado no Itamaraty deverá dar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a medida de sua capacidade de convencer China e Rússia a apoiar uma solução negociada em vez de novas sanções a Teerã. A recusa de Pequim e Moscou deixaria o Brasil isolado nessa questão. Entre diplomatas que acompanham o tema, essa possibilidade parece totalmente plausível, por causa dos desdobramentos recentes da conferência nuclear em Washington.

A insistência brasileira não arranhará a decisão dos EUA de ver as novas sanções aprovadas, como reconheceu na semana passada o chanceler Celso Amorim no Senado. Mas, segundo esses observadores, certamente prejudicará a relação Brasil-EUA num momento em que se vislumbrava uma arrancada na cooperação bilateral.

O Itamaraty está ciente dessa manobra arriscada e tenta encontrar um vetor de saída, que já se nota em uma ligeira mudança da linguagem de Amorim ao abordar o tema. A esperada visita ao Brasil do presidente dos EUA, Barack Obama, que selaria a nova parceria entre os dois países, está pendurada por um fio.

A Casa Branca antevê uma brecha para a viagem entre maio e julho, quando o presidente americano poderia passar por Brasília antes de seguir à África do Sul para a Copa do Mundo. Mas a visita de Lula ao Irã, em 15 de maio, ameaça atrapalhar esse projeto. Mais provável será a vinda de Obama no fim do ano, quando o Brasil já terá escolhido seu novo presidente.

Membro permanente do Conselho de Segurança, a Rússia parece ter concordado com sanções depois de sua última tentativa de negociação com os iranianos, em março. Também presente em Brasília entre hoje e amanhã, o presidente russo, Dmitri Medvedev, não deverá ceder a apelos do colega brasileiro.

Teerã levaria 5 anos para ter a bomba, diz Pentágono

O Irã poderia produzir urânio enriquecido para uma bomba nuclear em menos de um ano, mas demoraria até cinco anos para concluir uma arma que possa ser usada, disse ontem o general americano Ronald Burgess.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.