AP Photo/Evan Vucci
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Cúpula do clima: Biden promete cortar emissões de carbono pela metade até 2030

Presidente americano também cobrou lideranças mundiais que deem passos ainda neste ano para reduzir as emissões de carbono mundiais

Beatriz Bulla, Correspondente em Washington, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2021 | 09h16
Atualizado 22 de abril de 2021 | 13h58

WASHINGTON - Após quatro anos, os Estados Unidos voltaram ao palco internacional em busca da liderança de um movimento para conter os efeitos das mudanças climáticas. O presidente americano, Joe Biden, abriu nesta quinta-feira a Cúpula de Líderes sobre o Clima, que convocou quando assumiu a Casa Branca, para pedir que os países deem passos ainda neste ano para reduzir as emissões de carbono mundiais.

Como forma de mostrar aos demais países que os EUA "decidiram agir" e pressionar os países a fazer mais para conter os efeitos do aquecimento global, Biden anunciou que o país irá cortar pela metade as emissões de gases causadores de efeito estufa até 2030. "Essas medidas colocarão os Estados Unidos em um caminho de emissões (de carbono) zero para a economia até 2050, mas a verdade é que os Estados Unidos representam menos de 50% das emissões mundiais", disse Biden, ao pedir engajamento do resto do mundo.  "Nenhuma nação pode resolver esta crise por conta própria", disse o americano, que cobrou que especialmente as maiores economias mundiais deem "um passo à frente". 

"Os sinais (da mudança climática) são inconfundíveis, a ciência é inegável e o custo da inação continua aumentando", disse Biden. "Realmente não tenho escolha. Nós temos que fazer isso", disse Biden a 40 líderes internacionais.

Biden recolocou os EUA no Acordo Climático de Paris no mesmo dia de sua posse. O país tinha se retirado do tratado durante o governo Donald Trump, que tratava o tema com desdém e dizia que o acordo trazia desvantagens para os americanos.

Durante a campanha eleitoral, Biden prometeu que a questão ambiental seria um pilar de sua política doméstica e também externa, e que cobraria os países a se comprometerem com metas mais ambiciosas para reduzir as emissões de gases -- o que fez nos últimos três meses nas conversas preparatórias para a cúpula do clima. 

"Aqueles que agirem agora e fizerem investimentos ousados em energia limpa para o futuro irão ganhar os bons trabalhos de amanhã e tornar suas economias mais resilientes e competitivas", disse Biden. "Vamos correr essa corrida e ganhar um futuro mais sustentável. Nós temos que superar essa crise existencial do nosso tempo", afirmou o americano. 

"Estamos aqui nesta cúpula para discutir como cada um de nós, cada país, pode definir ambições climáticas mais elevadas que, por sua vez, criarão empregos com boa remuneração. (...) Os passos dados por nossos países entre agora e Glasgow (Cúpula do Clima em novembro, no Reino Unido) irão preparar o mundo para o sucesso", disse o presidente.

Para Entender

O que é o encontro convocado por Joe Biden

Reunião de líderes mundiais quer estabelecer novos compromissos para a redução das emissões de carbono e nasceu do interesse americano de se recolocar como protagonista no cenário internacional após os anos Trump

O americano insiste que a busca por uma agenda verde gera oportunidades econômicas para os países. Biden e os representantes de seu governo fazem questão de mostrar, nos discursos de abertura, que há também oportunidades econômicas e de geração de emprego na busca por uma sociedade ambientalmente comprometida.

Ele lançou um plano de infraestrutura trilionário para ampliar a rede de tecnologia do país, além de promover construções e reposicionar a indústria automobilística dos EUA para, ao mesmo tempo, tornar a economia do país mais próxima de um sistema ambientalmente sustentável e também criar empregos. "Quando eu falo de clima", disse Biden, "penso em criação de empregos, oportunidade econômica".

"Eu quero construir uma infraestrutura crítica, produzindo tecnologia limpa. Converso com os especialistas e vejo o potencial para um futuro mais próspero e justo", disse Biden.

"Estamos decididos a agir, não apenas em nosso governo federal, mas em nossas cidades, em nossos estados, em todo o nosso país, pequenas empresas, grandes empresas, grandes corporações, trabalhadores americanos em todos os campos. Vejo uma oportunidade de criar milhões de empregos sindicais de classe média bem remunerados", disse Biden, que exemplificou uma lista de maneiras como postos de trabalho podem ser convertidos para consolidar as ambições americanas de uma agenda verde. 

Após o discurso, Biden sentou em uma mesa com o secretário de Estado, Antony Blinken, e com o czar do clima, John Kerry para assistir o pronunciamento dos demais líderes chamados a falar. O primeiro líder internacional a discursar após os americanos na cúpula foi o presidente da China, Xi Jinping.

Os EUA buscam liderar o debate sobre questões climáticas e reorientar a economia nacional para alcançar a China, em uma nova etapa da busca por protagonismo entre as duas potências econômicas. Em discurso na segunda-feira, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, deixou clara a preocupação americana com o fato de os chineses estarem na frente dos americanos na agenda verde. 

Na semana passada, o czar do clima dos EUA, John Kerry, viajou a Xangai para se encontrar com seu homólogo chinês na primeira visita de alto nível de um funcionário do governo Biden à China. Os dois países concordaram em tomar ações concretas na década de 2020 para reduzir as emissões de carbono. China e EUA são os dois maiores poluentes mundiais. 

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