Cúpula do Mercosul vira tribuna contra complôs golpistas

Chávez diz que Evo corre perigo, Cristina denuncia ruralistas e Lula contesta envio de frota dos EUA

Ariel Palacios, San Miguel de Tucumán, Argentina, O Estadao de S.Paulo

02 de julho de 2008 | 00h00

A reunião de cúpula do Mercosul transformou-se ontem em uma tribuna para denúncias de tentativas de golpe contra os governos da região. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, alertou para sérias iniciativas golpistas na Bolívia, contra o presidente Evo Morales. Chávez afirmou que existe "um plano", que definiu como "de larga escala", para "derrubar" o governo boliviano, aliado da Venezuela. "A Bolívia está sendo atacada por dentro", disse Chávez, em tom de alerta. "Além disso, querem matar o Evo", acrescentou, citando um suposto complô contra o presidente boliviano descoberto dias atrás.As denúncias de golpismo continuaram ao longo dos encontros presidenciais da cúpula. Segundo fontes diplomáticas, na reunião bilateral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente Cristina Kirchner, em tom de desabafo, queixou-se das supostas tentativas de setores empresariais de derrubá-la. Já em seu discurso de despedida da presidência rotativa, Cristina recordou que, em 1973, o então presidente chileno Salvador Allende foi derrubado após "um período de desestabilização provocado pelo desabastecimento de alimentos". A líder argentina, por tabela, estava desferindo farpas contra o setor ruralista de seu país, que nos últimos três meses realizou quatro locautes agrários, causando desabastecimento e enfraquecimento político de seu governo.Lula ressaltou que quase todos os seus colegas haviam passado - ou estão passando - por momentos complicados. "Michelle Bachelet teve um inferno astral com a crise do transporte. Chávez também já enfrentou inúmeros problemas, assim como eu - em 2005 -, o governo do Paraguai e, agora, Cristina", disse o presidente brasileiro.Chávez alertou para o "perigo" da recente criação da 4ª Frota dos Estados Unidos, cuja área de atuação é o Atlântico Sul. "Qual é a razão para que os EUA nos enviem essa frota? Nunca vão admitir que é pelos recursos naturais da região", esbravejou o líder venezuelano. Segundo Chávez, além de supostamente cercar a América do Sul por mar, navios de guerra americanos também poderiam entrar na região pelos Rios Amazonas, da Prata (indo até o Paraná) e Orinoco, as principais vias fluviais sul-americanas.O presidente Lula também criticou a criação da 4ª Frota na área. "Agora que descobrimos petróleo a 300 quilômetros de nossa costa, queremos que os Estados Unidos expliquem qual é a lógica dessa frota, justamente numa região como esta, que é pacífica."

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