Cúpula latino-americana pede aos EUA fim de embargo a Cuba

Bloqueio, que já dura 46 anos, não tem mais explicação política nem econômica, disse Lula em discurso na Bahia

AE, Agencia Estado

17 de dezembro de 2008 | 08h51

A Cúpula da América Latina e Caribe (CALC), evento inédito coordenado pelo governo brasileiro, divulgará hoje uma declaração especial de condenação ao embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba, vigente desde fevereiro de 1962. Ontem, em brevíssima reunião, os líderes de 18 países latino-americanos que formam o Grupo do Rio decidiram pela inclusão de Cuba.   Veja também: Washington foi 'desprezado' em cúpulas na Bahia, diz 'NYT' Lula vê 'furacão político e ideológico' na ALNo discurso que encerrou o primeiro dia de trabalhos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu uma mudança na política americana na América Latina e o fim do embargo a Cuba. "Tome a atitude de colocar fim ao bloqueio a Cuba, que não tem mais explicação, que não tem mais explicação econômica, que não mais explicação política, ou seja, não existe nenhuma razão", disse, se referindo ao presidente eleito americano, Barack Obama.   Horas antes, o presidente cubano, Raúl Castro, havia lido um breve discurso na reunião do Mercosul, na condição de convidado especial da presidência brasileira do bloco. Embora tenham pouca repercussão prática, esses fatos somaram-se ao claro viés antiamericano dos quatro eventos de cúpula organizados e comandados desde ontem pelo Brasil, que tiveram como principal estrela o irmão de Fidel Castro.Nos encontros de ontem, Raúl Castro evitou tocar diretamente no conflito entre seu país e os EUA. Indiretamente, atingiu Washington ao condenar as políticas neoliberais e ao dizer que a crise internacional foi o resultado de uma 'ordem econômica injusta e egoísta', supostamente contrária à adotada nos últimos 50 anos por Havana.    Na noite de segunda-feira, ao chegar ao balneário baiano, Raúl Castro havia declarado à imprensa que esperava encontrar no futuro presidente americano, Barack Obama, disposição para uma conversa sobre o fim do embargo. 'Se o senhor Obama quer discutir, discutiremos', afirmou. 'É cada vez mais difícil manter Cuba isolada. Somos pequenos, mas demonstramos que não é possível nos dominar facilmente.'   Mudanças na América Latina   Segundo Lula, a possibilidade de uma nova política americana para a América Latina e o fim do embargo coroarão as grandes transformações na região nos últimos oito anos. "Houve um tempo em que o companheiro (presidente venezuelano) Hugo Chávez estava sozinho. Quem imaginava, há dez anos, o nosso querido Evo Morales ser presidente (da Bolívia)? Quem imaginava que um bispo da Teologia da Libertação fosse Presidente do Paraguai?", disse em alusão também a Fernando Lugo.   Lula também se referiu à chegada à Presidência argentina de Néstor Kirchner, ex-governador de Santa Cruz, que foi substituído na Casa Rosada por sua esposa, Cristina Fernández de Kirchner, assim como à presença da governante chilena, Michelle Bachelet, na cúpula.   "Posso citar outros exemplos", disse o presidente brasileiro, que destacou que todas essas mudanças fizeram com que fosse possível que o Grupo do Rio desse as boas-vindas hoje a Cuba como novo membro do principal fórum de concertação política da América Latina.   "E eu acho que isso culmina com esse pequeno grande gesto. Graças a essa mudança do perfil político-ideológico da nossa América Latina, a gente pôde fazer essa pequena reparação aos companheiros de Cuba. Trazê-los primeiro para o Grupo do Rio para depois levá-los para muito mais longe, junto com os latino-americanos e os caribenhos", afirmou.  

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