Cúpula opõe facções da elite política da China

Os 2.270 delegados do 18º Congresso do Partido Comunista da China reúnem-se em Pequim a partir de quinta-feira para chancelar os nomes dos dirigentes que comandarão a segunda maior economia do mundo na próxima década, escolhidos em uma opaca e feroz negociação de bastidores que opõe facções e famílias da elite política do país.

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE, Agência Estado

04 de novembro de 2012 | 10h05

Listas com os prováveis integrantes do órgão máximo de comando do partido continuam a circular na China, refletindo a disputa entre conservadores e reformistas e entre futuros, atuais e antigos líderes da organização.

"Eu nunca vi uma situação tão confusa antes, pelo menos não nos últimos 30 anos", disse à reportagem o analista político independente Zhang Lifan. "A definição da data do congresso foi adiada várias vezes, não há ainda uma decisão final (sobre os nomes) e uma série de escândalos e incidentes ocorreram antes da transição."

Apesar da falta de transparência e indefinição, já está decidido que o país será comandado nos próximos dez anos pela dupla Xi Jinping e Li Keqiang, os representantes da "quinta geração de líderes" que serão o presidente e o primeiro-ministro da China, respectivamente.

Os dois assumirão o governo de um país mais poderoso e complexo que o recebido em novembro de 2002 pelos atuais ocupantes dos cargos, Hu Jintao e Wen Jiabao. Naquela época, a China era a sexta maior economia do mundo. Hoje, é a segunda, atrás apenas dos Estados Unidos. No mesmo período, o número de usuários da internet saltou de 46 milhões para 540 milhões, entre os quais quase 300 milhões possuem microblogs semelhantes ao twitter - bloqueado pela censura local.

A década Hu-Wen registrou a maior média de crescimento da China desde o início do processo de abertura, em 1978, quando a prosperidade econômica se transformou na principal fonte de legitimidade do partido. Mas também viu o brutal aumento dos conflitos e da instabilidade social.

O número de protestos "de massa" chegou a 180 mil em 2010, quatro vezes o total registrado dez anos antes, segundo estimativa do professor da Universidade Tsinghua Sun Liping citada pelo jornal oficial Global Times. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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