Cúpula rende acordos específicos sobre gestão de material nuclear

Liderados pelos EUA, pactos preveem conversão de reatores e renúncia a estoques de urânio

estadão.com.br

13 de abril de 2010 | 14h58

WASHINGTON - Além das diretrizes gerais para a gestão da segurança dos materiais nucleares, a cúpula convocada pelo presidente dos EUA, Barack Obama, para estas segunda e terça-feira (12 e 13) em Washington gerou acordos específicos entre várias das 47 nações participantes do encontro.

 

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Nesta terça-feira, a Rússia se dispôs a gastar até US$ 25,5 bilhões para se livrar de 34 toneladas métricas de plutônio com potencial para armas atômicas, em um acordo firmado com as autoridades americanas, segundo informou o ministro de Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov.

 

Barack Obama disse que estava satisfeito com o anúncio da Rússia de que iria fechar seu reator de plutônio.

 

"Esse importante passo à frente continua a demonstrar a liderança da Rússia em questões de segurança nuclear, e irá adicionar energia ao nosso esforço global", disse o presidente por meio de um comunicado.

 

O plano foi revelado pelo chanceler russo antes mesmo de a reunião com a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, quando o acordo seria assinado. O pacto prevê que ambas as nações reduzam seus estoques de plutônio dos programas bélicos da Guerra Fria.

 

Também nesta terça, México, Canadá e os EUA concordaram em trabalhar junto da Agência Nacional de Energia Atômica (AIEA) para transformar o reator mexicano para operar com urânio enriquecido a baixos níveis, segundo a Casa Branca.

 

A conversão do reator do México permitirá a eliminação de todo o urânio altamente enriquecido do país norte-americano, conforme os estabelecimentos gerais da cúpula preveem.

 

Na segunda-feira, a Ucrânia anunciou que vai abrir mão de todo seu estoque de urânio enriquecido até 2012 e converterá suas usinas de pesquisas para que passem a usar urânio de baixo nível de enriquecimento (inferior a 20%). O país é detentor de um dos maiores estoques de urânio enriquecido do mundo. O anúncio foi comemorado pela Casa Branca.

 

A Ucrânia, uma ex-república soviética, concordou em abrir mão de 90 quilos de urânio enriquecido, material essencial para bombas nucleares. "Os EUA vêm tentando há dez anos chegar a esse acordo", disse Robert Gibbs, porta-voz da Casa Branca. "O material é suficiente para fazer pelo menos três bombas."

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