Cúpula Rice-Abbas-Olmert termina com vagas promessas

A reunião desta segunda-feira, 19, entre a secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, terminou com poucos sinais de progressos na direção do reinício de um processo de paz, exceto por uma vaga promessa de um novo encontro. Um dos principais temas da pauta foi o novo governo palestino de coalizão entre as facções Fatah e Hamas, que acalmou as disputas internas, mas lançou uma nova sombra sobre a tentativa de retomada do processo de paz. "Nós três afirmamos nosso compromisso com uma solução de dois Estados e concordamos que um Estado palestino não pode nascer da violência e do terror", disse Rice, lendo uma declaração conjunta após mais de duas horas de reunião num hotel de Jerusalém. Segundo ela, os dois líderes "reiteraram sua aceitação de acordos e obrigações anteriores", o que inclui as medidas previstas no chamado "mapa da paz" proposto pelos EUA. Além disso, Olmert e Abbas se comprometeram com uma nova reunião -"dentro de semanas" e novamente com a presença de Rice, segundo uma fonte norte-americana. Não houve entrevista coletiva conjunta após a reunião, e Abbas e Olmert não apareceram ao lado de Rice quando ela leu a nota. A secretária afirmou que a reunião discutiu "o horizonte político", e admitiu que "o verdadeiro valor aqui foi que eles se sentaram para conversar entre si". Há algumas semanas, quando o encontro foi anunciado, havia a expectativa de que ele levasse à retomada do processo de paz. BoicoteOlmert disse em comentários transmitidos após o encontro ao seu partido Kadima que Israel e os EUA decidiram boicotar o novo governo palestino, ainda a ser formado, caso ele não renuncie à violência, reconheça a existência de Israel e aceite os acordos de paz prévios. Rice reiterou serem essas as condições do chamado "Quarteto" de mediadores, formado também por Rússia, União Européia e Organização das Nações Unidas. Olmert se disse grato aos EUA "pela inequívoca posição de que não vai reconhecer um governo que não aceite os princípios do Quarteto". O primeiro-ministro impôs ainda outras condições para o fim do boicote israelense ao novo governo palestino, como o fim do disparo de foguetes da Faixa de Gaza e a libertação imediata de um soldado capturado em junho. Em Gaza, o primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh, do Hamas, disse que Washington deveria mudar de posição, pois a agenda do governo de unidade "dá amplo espaço ao movimento político". O Quarteto se reúne na quarta-feira, 21, em Berlim para discutir o encontro de Jerusalém e como lidar com a nova coalizão palestina. Um boicote norte-americano pode inviabilizar a retomada da ajuda direta dos doadores ocidentais à Autoridade Palestina, em vigor desde março de 2006, quando o Hamas assumiu o controle do governo depois de vencer as eleições locais.

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