Cúpula sobre crise síria ocorrerá sem Teerã

Segundo funcionários do Departamento de Estado dos EUA, decisão antecipa mudança no posicionamento do Irã

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2014 | 02h03

O Irã desistiu de participar das conversas de paz sobre a Síria, marcadas para o dia 22 deste mês na Suíça, afirmaram ontem funcionários do alto escalão do Departamento de Estado dos EUA.

Falando em condição de anonimato à agência Reuters, as fontes afirmaram que a decisão antecipa uma mudança drástica de posicionamento de Teerã, que teria decidido não acompanhar, nem mesmo de forma informal, as negociações. "É isso mesmo. Eles não irão."

No domingo, o secretário de Estado, John Kerry, disse que havia maneiras de a República Islâmica - que apoia o ditador sírio, Bashar Assad - contribuir nos bastidores de Genebra 2, como ficou conhecido o encontro que pode pôr fim a mais de dois anos da guerra civil que deixou mais de 130 mil mortos, segundo fontes dos rebeldes.

Só nas últimas horas, pelo menos 37 rebeldes sírios foram mortos por tropas leais a Assad quando deixavam a cidade velha de Homs, segundo a agência oficial de notícias, Sana. Rebeldes estabeleceram o número de mortos em 45.

Homs foi cercada pelas tropas de Assad há mais de um ano. Redutos de rebeldes nas áreas rurais que eram utilizadas como base de suprimentos também foram recuperadas pelo Exército Sírio.

Em vídeo divulgado ontem por ativistas, rebeldes do lado de fora de Homs protestavam contra a proibição, por parte de seus líderes, de atacar a cidade, acusando-os de receberem dinheiro de aliados do exterior e não organizar uma ofensiva eficaz.

"Quem deve ser culpado por essas mortes? Nós. Eles dizem que Homs está cercada e não existe como acessar a cidade. Não é verdade. Ainda existe uma rota pelo norte", gritava um dos rebeldes nas imagens.

Sobre as conversações de paz marcadas para o dia 22, o porta-voz de vários grupos rebeldes sírios, Yahya Al-Aridi, afirmou que o foco dos negociadores deve ser a definição de um prazo para o fim da guerra. "As conversas não podem durar para sempre. É preciso estabelecer um cronograma", disse Al-Aridi à Associated Press.

Violência. O Observatório Sírio para os Direitos Humanos estima que ao longo da última semana o confronto entre grupos anti-Assad - intensificado depois que rebeldes passaram a atacar cidades dominadas pelo grupo ligado à Al-Qaeda, Estado Islâmico no Iraque e o Levante (Isil, na sigla em inglês) - deixaram ao menos 500 mortos.

A maioria das vítimas nestes combates seria de rebeldes de grupos moderados, mas ao menos 85 civis também estariam entre os mortos.

Ontem, nas cidades de Alepo, Idlib e Raqqa havia confrontos entre os grupos rebeldes. / REUTERS e AP

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