Cúpula sobre segurança nuclear deve expor Lula a ser questionado sobre Irã

Cúpula. Em Washington, onde Obama reiterou ontem a preocupação da comunidade internacional com a ameaça de grupos terroristas obterem material atômico, brasileiro pretende defender a necessidade de mais diálogo com Teerã, antes de sanções

Patrícia Campos Mello, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2010 | 00h00

À margem da Conferência de Segurança Nuclear que começa hoje em Washington, o presidente Luís Inácio Lula da Silva vai se reunir com líderes de três países membros do Conselho de Segurança da ONU - Turquia e Japão, membros rotativos como o Brasil, e França, que é membro permanente.

Brasil, Turquia e Líbano são os três membros rotativos do conselho que não apoiam sanções contra o programa nuclear iraniano e são alvos de intenso lobby da Casa Branca. Lula prega mais diálogo com o Irã, que visitará em maio, antes de serem impostas sanções. Entre os membros permanentes - China, França, Rússia Grã-Bretanha e EUA - apenas a China não apoia sanções, enquanto a Rússia deixou claro que só apoiará medidas mais leves, que não afetem o povo iraniano. Lula terá reunião bilateral com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, amanhã e com o primeiro-ministro japonês, Yukio Hatoyama, e o primeiro-ministro turco, Recep Erdogan, hoje. O Planalto não especificou se as sanções farão parte da pauta. Mas fatalmente Lula será questionado sobre o posicionamento do País em relação ao Irã - ainda mais porque ele pode ser o último líder ocidental a se encontrar com Mahmoud Ahmadinejad antes de possíveis sanções. E a Casa Branca já anunciou que o presidente Barack Obama vai falar das sanções em seu encontro bilateral com Erdogan e, no mais aguardado de todos, com o presidente chinês, Hu Jintao, hoje.

Os encontros bilaterais são a maior atração da conferência, que se concentra em um tema bastante específico e pouco polêmico - o terrorismo nuclear. A cúpula terá a participação de 46 países, sendo 40 chefes de Estado. Trata-se da maior reunião de líderes mundiais convocada pelo governo americano desde 1945, quando foi criada a ONU. O principal tema é como evitar que materiais nucleares caiam nas mãos de terroristas. Em seu discurso histórico feito em Praga, há um ano, Obama, propôs que todo material nuclear vulnerável seja posto em locais seguros no prazo de 4 anos. "Se a Al-Qaeda pusesse as mãos sobre armas nucleares, não hesitaria em usá-las", disse Obama ontem, antes de encontro com o presidente da África do Sul, Jacob Zuma. "A maior ameaça à segurança americana, no curto, médio e longo prazo, é a possibilidade de uma organização terrorista obter uma arma nuclear." Hoje em dia, há cerca de 1.600 toneladas de urânio altamente enriquecido e 500 toneladas de plutônio no mundo - grande parte, vulnerável.

O presidente americano também manteve ontem reuniões bilaterais com dois Estados-chave em termos de preocupação com a segurança nuclear - Índia e Paquistão. Inimigos entre si, os dois países não são signatários do Tratado de Não-Proliferação e ambos enfrentam em seu território a frequente ameaça de grupos terroristas.

PONTOS-CHAVE

Paquistão

Islamabad não é signatária do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), mas é considerada fundamental para a estratégia dos EUA na luta contra o Taleban no Afeganistão

Índia

Governo já realizou testes nucleares, mas também não é signatário do TNP. Tema será discutido em encontro do premiê indiano, Manmohan Singh, com presidente americano, Barack Obama

Israel

País não confirma e tampouco nega ter bombas atômicas e se recusa a assinar o TNP. Premiê israelense, Binyamin "Bibi" Netanyahu, cancelou a sua participação na cúpula

Brasil

Presidente Lula participará de reunião. País assinou o TNP sem subscrever o protocolo adicional que reforça o controle por parte da Agência Internacional de Energia Atômica

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.