Naweed Haqjoo/Efe
Naweed Haqjoo/Efe

Cúpula taleban está fora de conversa com EUA

Entre os 40 mil soldados da milícia, apenas 1.700 concordam em depor as armas

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE/ WASHINGTON

A aposta dos Estados Unidos na negociação com militantes do Taleban para deposição de armas enfrenta a baixa adesão por parte do grupo afegão. Sobretudo, de seus comandantes. Tornado público no último final de semana pelo Pentágono, esse processo conseguiu aliciar apenas 1.700 dos cerca de 40 mil soldados do Taleban no país.

O avanço precário dessa iniciativa era um dos tópicos levados em conta ontem na Casa Branca, onde o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tentava definir o contingente de militares americanos a deixar o Afeganistão em julho.

A apresentação do número de soldados que serão retirados do país deve ocorrer amanhã. Em princípio, o número de soldados a ser retirado não será superior a 10 mil - apenas 10% do efetivo americano no Afeganistão. Segundo o porta-voz de Obama, Jay Carney, o presidente americano estava ontem finalizando sua decisão. "Ele está revendo as opções e as avaliações e fará um anúncio em breve." Desde que assumiu o poder, Obama já enviou 65 mil tropas adicionais ao país da Ásia Central para lutar contra a Al-Qaeda e o Taleban.

Nos últimos dias, o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, insistiu que a decisão será tomada com base em uma análise dos progressos e dos desafios ainda existentes no combate ao Taleban.

Uma parte dos elementos a serem considerados pelos Estados Unidos é a negociação com os militantes do Taleban. O major-general Phil Jones, coordenador desse programa, informou o New York Times haver apenas parte, entre os l.700 militantes rendidos, em nível de comando do Taleban. A grande maioria é composta de homens armados especialmente para a batalha, sem lealdade ao grupo, e boa parte dos líderes dessa organização se esconde no Paquistão. Mesmo depois das afirmações de Gates e do presidente afegão, Hamid Karzai, a milícia aliada da rede terrorista Al-Qaeda não assumiu que participa deste diálogo.

O próprio Gates e diplomatas americanos mostraram-se pessimistas com relação aos resultados desse programa. O sistema está sustentado em um fundo do governo afegão de US$ 140 milhões, composto por aportes dos EUA, do Japão e de outros países da coalizão. Os recursos cobrem os desembolsos regulares com os ex-militantes do Taleban, prêmios a suas comunidades e, em caso de serem ex-comandantes, a contratação de guarda-costas.

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