Cúpula tenta evitar guerra civil na Síria

À véspera da reunião de Genebra, que muitos apontam como a última chance para evitar a guerra civil, fracassou uma nova tentativa de superar o impasse e de promover uma transição política na Síria. Ontem, Rússia e China continuaram a rejeitar qualquer proposta que afaste Bashar Assad do poder. O mediador Kofi Annan, que em abril elaborou um plano de paz, apresentou esta semana um novo projeto para ser votado hoje. A ideia é a formação de um governo de unidade nacional, seguido por uma Constituição e eleição.

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2012 | 03h04

Ao Estado, diplomatas admitiram que um dos principais impasses era a presença de Assad nesse governo de transição. Ontem, em Paris, o Conselho Nacional Sírio alertou que aceita o novo plano, desde que Assad não faça parte da coalizão. Moscou, porém, já vetou qualquer plano que inclua a mudança de regime.

Para salvar a cúpula, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, reuniu-se ontem com o chanceler russo, Sergei Lavrov, que se limitou a dizer que os dois países estavam de acordo com "a maioria dos pontos" do plano de Annan. A realidade na mesa de negociação, contudo, era diferente. Pelo projeto, o governo de união nacional exclui atores que "minariam a credibilidade da transição e a reconciliação" - o que exclui Assad.

Moscou apresentou ontem um novo texto, que não afasta Assad e deixa a transição nas mãos dos sírios. Para os russos, nenhuma solução pode ser imposta aos sírios - ideia apoiada pela China. EUA, Grã-Bretanha e França rejeitaram o projeto.

Países árabes tentaram ontem pressionar Moscou. "A fase de negociação acabou. Agora, só uma decisão política salva o projeto", disse um diplomata, ao deixar a reunião. Ontem, a Turquia afirmou que tropas sírias se aproximaram da fronteira, um dia depois de Ancara enviar reforços para a região - 2,5 mil soldados sírios, com 170 tanques, estariam próximos à fronteira.

Ontem, Assad lançou uma ofensiva contra o bairro de Duma, em Damasco, que foi fortemente bombardeado. A oposição acusou o governo de mais um massacre. Nos últimos dez dias, as mortes teriam superado mil. Ontem, só em Duma, foram 60 mortos. Em todo o país, 180 pessoas morreram ontem.

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