Cúpula UE-América Latina é marcada por atrito em torno das Farc

A crise diplomática surgida entre aColômbia, o Equador e a Venezuela ameaçava na sexta-feira tomarconta da cúpula de líderes da América Latina, do Caribe e daUnião Européia (UE), cuja agenda oficial prevê discussões sobreo combate à pobreza, às mudanças climáticas e à crisealimentar. Os atritos entre os três países tornaram-se mais agudos naquinta-feira, pouco depois de a Interpol ter dito seremautênticos arquivos achados nos computadores de um líder daguerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Segundo o governo colombiano, esses documentos apontam paraos laços existentes entre a Venezuela, o Equador e o grupoarmado. À crise diplomática somaram-se as desavenças manifestadaspelos líderes da América Latina e da Europa a respeito de comofazer avançar um pacto mundial de livre comércio, atravancadodevido à recusa de alguns países sul-americanos em abrir seusmercados e à recusa de países do velho continente em cortaremsubsídios agrícolas. O país anfitrião da cúpula, Peru, pediu aos governanteseuropeus para que destravem e agilizem o acordo, recebendo comoresposta várias declarações de intenção mas nenhuma soluçãoconcreta. Nesse contexto de desavença, observadores manifestarampessimismo a respeito da possibilidade da cúpula ter êxito. Oencontro reúne mais de 45 presidentes e chefes de Estado dosdois continentes. "Nosso apelo, na qualidade de anfitriões momentâneos, épara que nossa discussão de hoje concentre-se nos pontos quenos unem, os quais são vários e com os quais podemos beneficiarem muito nossos povos, em vez de nos determos naquilo que nosdesune e que, por enquanto, nos divide", afirmou o presidentedo Peru, Alan García, ao abrir a cúpula. Como prova do ambiente carregado, logo que chegou a Lima,por volta da meia-noite de quinta-feira, o presidente doEquador, Rafael Correa, acusou a Colômbia de realizar uma"campanha de difamação" contra ele. Poucas horas antes, o presidente venezuelano, Hugo Chávez,de esquerda, havia anunciado que "reconsiderava seriamente" asrelações diplomáticas com o governo colombiano. Ao mesmo tempo,o dirigente negou que mantenha relações com as Farc e acusou osEUA de alimentar a crise. O governo equatoriano rompeu seus laços diplomáticos com aColômbia no começo de março como forma de protesto devido àviolação de seu território por forças militares colombianas,que bombardearam um acampamento ilegal das Farc situado dooutro lado da fronteira entre os dois países. Na ação, foimorto Raúl Reyes, um dos líderes da guerrilha. Correa, Chávez -- que ficou do lado do Equador no conflito-- e o presidente colombiano, Alvaro Uribe, um políticoconservador, se encontraram pessoalmente na cúpula de Lima pelasegunda vez desde o início do conflito. De toda forma, não se prevê uma reunião entre os três e nemencontros bilaterais, apesar de outros líderes da região teremaproveitado a oportunidade para tentar patrocinar umaaproximação recíproca. A Colômbia vem alardeando que os arquivos encontrados noscomputadores existentes no acampamento das Farc contêm provasindicando que a Venezuela e o Equador apoiaram as Farceconomicamente. A Interpol afirmou que os arquivos são autênticos, mas nãose manifestou a respeito do conteúdo deles. Para Uribe, issomostra que as autoridades de seu país agiram com honestidade etransparência no caso. Correa e Chávez contestaram a validade das declarações dapolícia internacional.

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