Curdo islâmico pega perpétua por matar sua filha em "defesa da honra"

Um refugiado curdo do Iraque, que cortou a garganta de sua filha porque ela teria se ocidentalizado demais e iniciado um relacionamento com um homem de outra religião, foi condenado hoje à prisão perpétua. Abdalla Yones esfaqueou 11 vezes sua filha de 16 anos, Hesu, em outubro do ano passado, em sua casa em Londres, antes de cortar garganta dela e se jogar de uma varanda no terceiro andar. A polícia acredita que ano passado aconteceram várias mortes em "defesa da honra" na Grã-Bretanha, metade delas na capital britânica. Para os promotores do caso, a morte de Hesu é o resultado das tensões vividas por seu pai frente à vida ocidentalizada da filha, suas notas baixas na escola e especialmente suas relações sexuais com um garoto cristão libanês de 18 anos. Hesu teria feito planos para fugir e duas "cartas de despedida" foram encontradas na casa dos pais. Em uma das cartas divulgada pela polícia a garota escreveu: "Eu e você não vamos, provavelmente, nunca nos entender, me desculpe se eu não fui o que você quis, mas algumas coisas você não pode mudar". "Para um homem velho, você tem socos e chutes fortes. Espero que você tenha gostado de testar sua força em mim. Foi divertido estar no lado que apanhou. Valeu". Os advogados de defesa disseram que a personalidade de Yones "teria sido forjada em situações extremas" para independência do Iraque e que teria achado muito difícil adaptar-se à vida européia. O comandante Andy Baker, chefe do departamento da Polícia Metropolitana de Crimes Hediondos, disse, após o julgamento, que a sentença dele foi uma clara mensagem àqueles que "representam mal suas comunidades e são coniventes em mal tratar a mulher. Violência em nome da cultura não será tolerada", disse Baker.

Agencia Estado,

29 de setembro de 2003 | 15h42

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