Curdos e sunitas do Iraque abandonam 1.ª sessão do Parlamento

Xiitas não indicaram um nome para substituir o primeiro-ministro Maliki; parlamentares só devem se reunir semana que vem

O Estado de S. Paulo

01 de julho de 2014 | 15h44

BAGDÁ - Parlamentares iraquianos recém-eleitos iniciaram as sessões nesta terça-feira, 1, sob pressão para nomear um governo de unidade nacional e evitar divisões no país num momento de ofensiva de insurgentes islâmicos sunitas, que declararam um califado para governar todos os muçulmanos do mundo.

Sunitas e curdos abandonaram a primeira sessão depois que os xiitas não indicaram um nome para substituir o primeiro-ministro Nuri al-Maliki. Com isso, diminuem as esperanças de se formar rapidamente um governo de unidade e evitar a fragmentação do Iraque.

Os Estados Unidos, a Organização das Nações Unidas e o próprio clero xiita do Iraque pressionaram duramente para que os políticos formassem um governo inclusivo. Mas com a recusa dos xiitas em indicar um primeiro-ministro, sunitas e curdos não quiseram voltar ao plenário após o recesso da Câmara na "zona verde" de Bagdá.

O Parlamento não deve reunir-se novamente em pelo menos uma semana, o que deixa o país num estado de limbo político, com Maliki se agarrando ao poder como premiê interino, mas rejeitado por sunitas e curdos.

Tropas iraquianas lutam há três semanas contra combatentes liderados pelo Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Isil, na sigla em inglês). Os combates têm se intensificado nos últimos dias em Tikrit, cidade natal de Saddam Hussein.

O Isil, que domina faixas de território em um arco territorial que vai de Alepo, na Síria, até perto da margem oeste de Bagdá, no Iraque, mudou de nome, passando a chamar-se simplesmente de Estado Islâmico. O movimento declarou seu líder, o guerrilheiro o Abu Bakr al Bagdadi, como o califa, título histórico para o governante de todo o mundo muçulmano.

A insurgência no Iraque é apoiada por outros grupos armados sunitas que afirmam sofrer perseguição do governo de Maliki.

Apesar de a coalizão de Maliki ter conquistado a maioria dos assentos no Parlamento, ele ainda precisa de aliados para governar. Sunitas e curdos exigem sua saída, argumentando que ele renegou acordos de partilha de poder e favoreceu a própria seita.

Ajuda. Os Estados Unidos não pediram publicamente que Maliki deixe o cargo, mas exigiram um governo mais inclusivo em Bagdá como condição para fornecer mais ajuda no combate ao Isil. Em outro movimento para aumentar sua presença militar no Iraque, os EUA disseram que enviariam mais 300 soldados para o país.

O porta-voz do Departamento de Defesa americano, almirante John Kirby, disse que cerca de 200 combatentes chegaram ao país no domingo 29 para reforçar a segurança na Embaixada dos EUA e o Aeroporto Internacional de Bagdá. Outras 100 pessoas também deveriam ir para Bagdá para "fornecer suporte de segurança e logística".

"Essas são forças extras, separadas dos cerca de 300 funcionários cujo envio o presidente autorizou para estabelecer dois centros de operações conjuntos e realizar uma avaliação de como os EUA podem fornecer suporte adicional para as forças de segurança do Iraque", disse Kirby, em comunicado.

O governo de Maliki, com a ajuda de milícias sectárias xiitas, conseguiu evitar a entrada dos militantes sunitas na capital, mas não foi capaz de recuperar o controle das cidades que suas forças armadas abandonaram, como Mossul. O Exército tentou na semana passada retomar Tikrit, situada 160 quilômetros ao norte de Bagdá, mas não conseguiu. / REUTERS

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