Curdos iraquianos já se preparam para a guerra

O Curdistão iraquiano, zona autônoma no norte do Iraque e criada após 1991, começa a se preparar para a guerra. A informação é de Abdul Rezzak Mirze, ministro de Assistência Humanitária da província de Soulemanieh no Curdistão. Em entrevista à Agência Estado, o ministro conta que a administração da província já está se preparando para uma situação de caos humanitário que certamente ocorreria com a explosão de um conflito.De passagem por Genebra, Mirze ainda contou que Bagdá plantou, nos últimos meses, minas terrestres na fronteira com o Curdistão para tentar evitar uma invasão por terra por parte dos Estados Unidos. O ministro também se mostrou cético em relação à iniciativa de Saddam Hussein de permitir inspeções no país.AE- Como é que o governo autônomo do Curdistão iraquiano avalia a possibilidade de uma guerra no Iraque?Mirze - Já estamos trabalhando com organizações não-governamentais (ongs) para mobilizar recursos que seriam usados em caso de uma emergência humanitária. Certamente seria uma catástrofe humanitária a explosão de uma guerra.AE - A ONU também está sendo acionada para ajudar?Mirze- Quando começamos a tratar do assunto, as agências de ajuda humanitária da ONU nos disseram que não queriam se envolver e que preferiam não participar de uma preparação para a guerra. Mas, na semana passada, conseguimos convencer as Nações Unidas de que necessitamos de toda a ajuda possível. No início da semana, representantes da ONU já estavam sentados lado a lado com as ongs.AE - O governo curdo tem notado alguma movimentação por parte dos iraquianos nos últimos meses que possa levar a creer que estão se preparando para uma guerra ?Mirze- Temos informações que o exército de Bagdá tem plantado minas terrestres na fronteira com nossa região, supostamente para tentar evitar uma invasão por terra de seus inimigos. Essa é a doutrina militar iraquiana.AE - Como é que os iraquianos adquiriram as minas terrestres nesses últimos anos se estão sob o embargo da ONU?Mirze- A maioria das minas foi comprada ainda na década de 80 e temos informações de que, no total, Bagdá adquiriu 20 milhões de minas. Doze milhões já estão no território e, desse total, 7 milhões foram colocadas nas terras curdas. O motivo, segundo Bagdá, era de dificultar, nos anos 80, uma invasão dos iranianos. Depois da Guerra do Golfo, um acordo entre a ONU e o Iraque impediu que as agências internacionais entrassem nas zonas de fronteira entre o Iraque e Irã e, portanto, até hoje, essa região está repleta de minas. O resultado é que somente depois da Guerra do Golfo mais de 10 mil pessoas já morreram por causa das minas terrestres.AE - De onde vieram as minas?Mirze- Esse é um fato supreendente, mas Bagdá comprou esse tipo de armamento até mesmo dos Estados Unidos, Inglaterra e de Israel. Outros fornecedores foram a China, Bulgária, Rússia, Suécia e Itália.AE - Como o sr. avalia a iniciativa de Bagdá de permitir que as inspeções da ONU ocorram de forma incondicional?Mirze- Não sei se a oferta de Saddam Hussein é de fato incondicional. Vamos esperar e ver o que ocorre.

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