Curdos, não Assad, são o problema da Turquia na Síria

Cenário: Gustavo Chacra

O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2012 | 03h09

Aliadas até pouco tempo, Turquia e Síria se aproximam de um conflito que pode causar uma guerra regional. Por trás da crise está a questão curda e a ambição de seus dois líderes. Bashar Assad segue firme na luta para manter-se no poder. O premiê turco, Recep Tayyp Erdogan, quer transformar o país em uma nação presidencialista, com ele como presidente. Até o início de 2011, eles eram aliados. A Turquia era a maior parceira comercial da Síria. Mas Erdogan não tolerou a repressão do regime secular sírio contra uma oposição sunita religiosa e não queria estar do lado errado quando a Primavera Árabe chegasse a Damasco.

Assad irritou-se com o apoio de Erdogan aos rebeldes e decidiu se vingar. Aos poucos, concedeu autonomia para áreas curdas na fronteira entre os dois países. Os curdos, inimigos de Ancara, estreitaram relações com o Curdistão iraquiano e abriram as portas para o PKK (grupo separatista curdo) iniciar ações a partir de seu território. Erdogan não tolera o apoio de Assad aos curdos. Apenas aguarda uma desculpa para entrar na Síria e combatê-los. Talvez o estopim não tenha sido hoje, mas a advertência foi dada. Se Damasco não tiver cautela na fronteira, pode entrar em guerra com Turquia e Otan.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.