Curdos sírios buscam abrigo na Turquia após confrontos com EI

Jihadistas tomaram ao menos 20 vilas curdas nas proximidades de Kobani, em Alepo; governo do Curdistão pede ajuda internacional

O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2014 | 14h53

BEIRUTE - Cerca de mil curdos sírios se reuniram na fronteira da Síria com a Turquia nesta sexta-feira, 19, buscando abrigo após combatentes do Estado Islâmico (EI) terem tomado vilas curdas. Os confrontos entre o EI e curdos na região de Kobani, um dos principais enclaves curdos do norte da Síria, continuam.

O porta-voz do Partido da União Democrática (PYD, na sigla em curdo), Nawaf Khalil, disse que "a situação em Kobani é muito perigosa porque os jihadistas tomaram o controle de 20 povos nos últimos dois dias". De acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos, até o momento os extremistas dominaram 24 povos nas imediações de Kobani e cercaram a região.

Segundo Khalil, o EI usou carros de combate e armas pesadas nos ataques, mas as Unidades de Proteção do Povo Curdo receberam reforços da Turquia, onde muitos jovens curdos respondem às chamadas de socorro.

O porta-voz acrescentou que milhares de pessoas fugiram rumo à Turquia, que, segundo ele, impediu a travessia em alguns momentos. A emissora turca NTV afirmou nesta sexta que a Turquia abriu a fronteira para permitir a entrada dos refugiados, que se concentravam no local desde quarta-feira.

Khalil pediu à "comunidade internacional, EUA e União Europeia (UE) que defendam os curdos, não só de Kobani, mas também de outras províncias sírias ameaçadas pelos terroristas do EI".

Ajuda. Nesta sexta, as autoridades da região autônoma do Curdistão iraquiano pediram que a comunidade internacional intervenha para ajudar a população de Kobani.

Em comunicado, o governo pediu medidas para "proteger a cidade dos terroristas do EI e enviar ajuda humanitária à população" e a colaboração do Iraque e do Irã para apoiar "os bravos combatentes que defendem Kobani".

Os curdos sírios estão apresentando uma resistência ao avanço do EI, que em junho proclamou um califado no Iraque e Síria.

Não é a primeira vez que as áreas de maioria curda são objetivo dos jihadistas na Síria. Os curdos sírios se concentram, sobretudo, na província de Al Hasaka (nordeste) e nas regiões de Afrin e Kobani, em Alepo, (norte) e são 9% da população do país. / EFE

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