Curdos turcos falam em "guerra inevitável"

Rebeldes curdos turcos exortaram hoje jovens curdos a entrar na guerrilha e disseram que uma guerra contra a Turquia tornou-se inevitável, num comunicado divulgado por uma agência de notícias curda. Os rebeldes anunciaram que eles "entenderam que o processo de paz de quatro anos foi sufocado e a guerra tornou-se inevitável". O comunicado também acusou a Turquia de estar se preparando para ocupar o norte do Iraque a fim de "eliminar a liberdade curda" na região.A Turquia afirma que enviará milhares de soldados para o norte do Iraque no caso de uma guerra liderada pelos EUA contra o Iraque. A maioria dos analistas acredita que a intenção da Turquia é evitar a criação de um Estado independente curdo no norte iraquiano, e combater rebeldes que têm suas principais bases na área.O grupo rebelde, que no ano passado mudou seu nome de Partido dos Trabalhadores do Curdistão, ou PKK, para Congresso da Liberdade e Democracia Curdas, ou KADEK, retirou-se, quatro anos atrás, para bases no norte do Iraque, quando declarou um cessar-fogo unilateral.Não ficou claro se os rebeldes estavam decretando o fim do cessar-fogo e a retomada de ataques."Foi decidido fazer retornar à agenda o direito do povo curdo à legítima defesa. Na agenda está uma guerra defensiva contra uma outra, destrutiva", afirmou o comunicado divulgado pela agência de notícias Mesopotâmia, baseada na Alemanha.A liderança curda orientou os curdos a se prepararem para uma guerra."Convocamos todos os curdos... a participar em ações do levante democrático, nossos jovens a entrarem na guerrilha e a todas as pessoas a apoiar a guerra defensiva, material e espiritualmente", diz o comunicado.Muitos curdos estão preocupados com o destino do líder rebelde Abdullah Ocalan, que cumpre sentença de prisão perpétua na Turquia, por ter liderado uma guerra de 15 anos contra o Exército turco, que deixou 37.000 mortos.Nas últimas 11 semanas, autoridades turcas têm impedido que o advogado de Ocalan o visite na ilha-prisão onde ele é o único preso, alegando más condições meteorológicas.

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