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Curto, um prefeito que durou 24 anos

Caso reflete problema peronista: motivar líderes de redutos a pedir votos após décadas no poder

Rodrigo Cavalheiro, correspondente/BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

07 de novembro de 2015 | 18h38

BUENOS AIRES - Quando Hugo Curto assumiu a prefeitura de Tres de Febrero, seus comícios eram gravados em fitas de videocassete, o Brasil era tricampeão mundial de futebol e a Argentina, bicampeã. Foi em 1991.

Esse sindicalista – que aderiu ao kirchnerismo, mas sempre foi visto como um peronista clássico – ganhou seis eleições para mandatos de quatro anos. Curto ficou popular por chegar ao gabinete às 5h30 para escutar pedidos de moradores.

Graças à lei eleitoral argentina, que restringe a duas administrações consecutivas somente os cargos executivos de governador e presidente, formaram-se os “barões” da região metropolitana de Buenos Aires. 

O longevo baronato de Curto terminará em duas semanas. Ele foi derrotado por 13 pontos porcentuais, no dia 25, pelo jornalista Diego Valenzuela, de 45 anos, que tinha 21 anos quando o rival começou a administrar a cidade. “Quando me reuni com ele, Curto me disse que nunca havia perdido uma eleição, nem na época do sindicato”, disse ao Estado Valenzuela, do Proposta Republicana, partido do conservador Mauricio Macri. 

Desde que foi derrotado, o prefeito comunicativo está avesso a entrevistas e a aparições. E aí está uma das chaves de um segundo turno inédito no país. Se é difícil motivar os ganhadores a seguir em campanha, tarefa mais árdua é colocar políticos como Curto para pedir votos para Daniel Scioli. “É difícil, mas a população os anima a seguir. Vamos buscar esses votos de Sergio Massa. Está aparecendo muita gente que estava escondida para impedir que ganhe Macri”, afirmou em seu gabinete o vereador peronista Máximo Augusto Rodríguez.

Valenzuela aposta no efeito contrário. “Massa teve 24% dos votos e o candidato dele a prefeito teve 19%. Pela diferença, há margem para crescermos”, acredita. O prefeito eleito cita como uma das maiores façanhas conservadoras na cidade a vitória no centro eleitoral da escola em que estudou Carlos Tévez, na favela chamada Fuerte Apache, cenário inevitável de reportagens sobre o jogador.

Tévez está convocado para o jogo de quinta-feira contra o Brasil, em Buenos Aires, mas é dúvida em razão da sequência de jogos pelo Boca Juniors. Ele é o jogador mais popular da Argentina, país cujo número de mundiais, dois, é das poucas coisas que Curto não viu mudar em 24 anos no poder.

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