Custo da guerra pode ser maior que previsto

Os ministros de Finanças do G-7 (G-8, com a Rússia ) se reúnem no próximo fim de semana em Paris com o objetivo de evitar que suas divergências diplomáticas sobre a guerra do Iraque degenerem ainda mais, o que resultaria no agravamento da crise econômica e no aumento do protecionismo comercial - algo que europeus e americanos mais temem. Alguns economistas acham que os custos das operações de guerra podem ir muito além do que se imagina e ninguém sabe ainda - ao contrário do que ocorreu na Guerra do Golfo, por exemplo - quem vai pagar a fatura desse conflito quase inevitável.O professor William Nordhaus, da Universidade de Yale, é um dos raros economistas que ousam apresentar números para o conjunto das operações de guerra e para as atividades de pacificação, segundo vários cenários estabelecidos. Ele estima esses custos para os Estados Unidos entre US$ 99 bilhões e US$ 1,924 trilhão - despesa escalonada nos próximos dez anos.Os governos dos países que optaram pela via pacífica - como o francês, por exemplo - são os primeiros a considerar o período de espera da guerra o pior. É o que tem sustentado o ministro de Finanças, Francis Mer (que participa desde hoje, em Bruxelas, de uma reunião de ministros das Finanças da UE, destinada a determinar o impacto que uma eventual guerra teria sobre a economia de todos os membros da instituição). Isso porque existem dúvidas sobre os vários cenários que poderão se desenvolver.O mais grave, na opinião do xeque Ahmed Zak Yamani, ex-ministro saudita do petróleo e um dos fundadores da Opep, independe, por exemplo, do país que deverá ser o vencedor indiscutível da campanha militar - os EUA. Profundo conhecedor da região, Yamani lembra que Saddam Hussein poderia recorrer à destruição dos poços de petróleo iraquianos, uma política suicida e de terra arrasada, elevando os preços do barril a US$ 80 ou US$ 100, com graves conseqüências para a economia ocidental.O secretário da Defesa americano, Donald Rumsfeld, declarou que "a guerra poderá durar seis dias, talvez seis semanas, mas de nenhuma forma seis meses". Uma coisa é certa: as guerras não constituem um período positivo para a economia. Não se pode esquecer que atualmente os EUA, a Europa e o Japão enfrentam período de grande endividamento. E alguns economistas mais pessimistas chegam mesmo a prever um eventual ?crash? do dólar. A moeda americana, pela primeira vez, deixa de ser uma moeda refúgio como nas guerras anteriores. O euro desempenha, no momento, esse papel.Por tudo isso, os países começam a indagar quem vai pagar a fatura da guerra. No primeiro conflito, ela foi da ordem de US$ 61 bilhões - hoje equivalente a US$ 76 bilhões. Aquela operação, chamada Tempestade no Deserto, constituiu uma exceção para os EUA, pois não foram os americanos que pagaram a fatura.A Arábia Saudita e o Kuwait assumiram a parte mais elevada das despesas, US$ 16,8 bilhões e US$ 16 bilhões respectivamente; os Emirados Árabes Unidos, US$ 4 bilhões; Alemanha, US$ 6,5 bilhões; e o Japão US$ 10,7 bilhões.Essa foi, segundo o diretor do Instituto Francês de Relações Internacionais, Thierry de Montbrial, a primeira e a última vez que um conflito foi inteiramente pago, metade pelas vítimas e metade por países que não combateram diretamente.Atualmente, esse não é o caso. E, se uma aliança militar foi constituída entre os EUA e a Grã-Bretanha, nada ainda ficou acertado em relação a seu financiamento. A princípio, os analistas acreditam que as jazidas de petróleo do Iraque poderão compensar os gastos militares. Uma nova guerra poderá custar muito mais caro, mesmo porque na primeira não foram necessárias operações de pacificação e ocupação, o que terá necessariamente de ocorrer desta vez.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.