''Custo político de fechar TV é cada vez mais alto''

Para jornalista, Lula deve converter-se em conselheiro para pedir a Chávez que não se desvie do caminho democrático

, O Estadao de S.Paulo

08 de agosto de 2009 | 00h00

Alberto Federico Ravell, diretor-geral da Globovisión, acredita que o custo político do fechamento da emissora torna-se mais alto a cada dia. Mas teme que isso não seja suficiente para impedir uma medida de força. A seguir, trechos da entrevista que concedeu ao Estado na sede da TV.O sr. acredita que a decisão do governo de encerrar as transmissões da Globovisión já está tomada?Uma decisão dessas vai se tornando politicamente mais custosa a cada dia. Mas tenho consciência de que isso não quer dizer que, em algum momento, o presidente Hugo Chávez se coloque muito raivoso e tome essa medida. É preciso lembrar que a avaliação do custo político interno e externo de fechar a Radio Caracas Televisión (RCTV, cassada em 2007) não o fez pensar duas vezes. Há pessoas no governo capazes de moderar as ações de Chávez contra os meios de comunicação?No governo há algumas vozes que não estão de acordo com essas medidas. Não se sabe exatamente até que ponto elas são ouvidas. O governo encomendou uma pesquisa sobre o fechamento da Globovisión e das emissoras de rádio. O resultado mostrou que 75% da população é contrária a essas ações.Que papel instituições e governos internacionais têm exercido para evitar o fechamento da emissora?Acredito que o presidente está atento à opinião internacional. Estávamos até pensando em falar com (o presidente deposto de Honduras, Manuel) Zelaya e pedir a ele que fale com a OEA e com Chávez e o convença a manter a liberdade de expressão (risos). Mas, falando sério, o presidente Lula deveria converter-se em um bom conselheiro de Chávez para pedir a ele que não se desvie do caminho democrático.Como o sr. viu a tentativa de se aprovar na Assembleia Nacional essa lei de delitos midiáticos?Eu já dizia que seria muito difícil que essa lei fosse aprovada. Nem nós nem nenhum meio de comunicação da Venezuela poderia fazer jornalismo sério, caso ela se tornasse realidade. Teríamos de passar a transmitir apenas novelas brasileiras e desenhos animados. Desde que chegou ao poder, Chávez sonha em consquistar hegemonia da comunicação no país. Ele dirige seu governo pela televisão, por isso a televisão é tão importante para ele. Muitos funcionários são destituítos ou sancionados por meio de seus discursos pela televisão.

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