Dados básicos e evolução política no Nepal

O Nepal nunca foi um país fácil de lidar. Sempre envolvido em disputas sangrentas pelo poder. O rei Gyanendra, assumiu o controle do país após seu sobrinho, príncipe Dipendra, irromper em fúria contra seus pais, os matando, e logo após cometendo suicídio. Segundo a tradição nepalesa, Gyanendra era o parente mais próximo e foi proclamado rei em 4 de junho de 2001.Em 1º de fevereiro de 2005, Gyanendra tomou o governo e instituiu uma administração absolutista, mas a violência tomou conta do reino e após dias de protestos e a morte de vários manifestantes, em torno de 15, o rei renunciou nesta sexta-feira.Conheça mais o Reino do Nepal:Situação: O Reino do Nepal, enclave asiático fechado no Himalaia, compartilha fronteiras com a Índia, ao leste, ao sul e ao oeste, e com a China, ao norte.Superfície: 147.200 quilômetros quadrados.População: 22.736.934 habitantes (dados de 2004).Capital: Katmandu, com 10,8 milhões de habitantes.Idioma: O nepalês é o idioma oficial e usado por 58,4% da população. Também é falado o maithili, bhojpuri, newari e tamang, entre outros, que correspondem a diferentes comunidades culturais, das quais a tibetana é a mais numerosa.Religião: 90% da população seguem o hinduísmo, enquanto 5,3% são budistas, 2,7% são muçulmanos e 2% praticam outras religiões.Forças Armadas: 51 mil homens (dados de 2002).GovernoA monarquia parlamentar está em vigor desde 1990, ano da atual Constituição. O Legislativo é formado pelo Conselho Nacional (60 membros, deles dez são nomeados pelo rei de acordo com o primeiro-ministro) e pela Câmara de Representantes (205 cadeiras).Chefe de Estado: O rei Gyanendra Bir Bikran Shah Dev foi coroado em 4 de junho de 2001.A coroação de Gyanendra aconteceu em meio a violentos confrontos que acabaram com uma morte pela negação dos nepaleses em acreditar na versão oficial dos assassinatos.Chefe de governo: Sher Bahadur Deuba até 1º de fevereiro de 2005, quando Gyanendra assumiu o poder absoluto.Partidos Políticos: Os principais são o centrista Partido do Congresso Nepalês, o Partido Comunista do Nepal (Marxista-Leninista Unido) e o conservador monárquico Partido Nacional Democrático.EconomiaA moeda é a rúpia nepalesa. O PIB é de US$ 6,151 bilhões e a renda per capita é de US$ 271 (2004). A inflação foi de 3% em 2003, e a taxa de crescimento foi de 3,74% em 2004. Em 2003, o país exportou US$ 653 milhões e importou US$ 1,004 bilhão.Sua principal fonte de riqueza é a agricultura, à qual se dedicam 95% da população. A modesta indústria se concentra na área de Katmandu.É um dos países mais pobres do mundo. O maior obstáculo para o progresso é a estruturas feudal, que é mantida quase intacta. Mais de 50% da população vivem abaixo da linha da pobreza, e 72,5% dos nepaleses são analfabetos.HistóriaO reino do Nepal surgiu com a unificação pelos gurkhas em 1767. A monarquia nepalesa foi de direito divino até a revolução de 1990, quando acabou o "panchayat", sistema que proibia os partidos e considerava o rei a reencarnação de Vishnú, um dos principais deuses do hinduísmo.A primeira eleição democrática em 32 anos e a segunda da história aconteceu em 12 de maio de 1991. Em 1959, foi eleito o primeiro governo democrático, abortado dois anos depois por um golpe de Estado monárquico.Evolução PolíticaApós a revolta popular de abril de 1990, na qual morreram cerca de 50 pessoas, o rei Birendra teve que acabar com o regime absolutista, e o líder do Partido do Congresso, Girija Prasad Koirala, assumiu a chefia do governo.No pleito de 1994, o Partido Comunista Marxista-Leninista Unido passou a ser a força mais votada, mas sem maioria, e o primeiro Executivo comunista nepalês durou apenas um ano.Em 1999, Prasad Koirala recuperou a chefia do governo.Três anos antes, a guerrilha maoísta, que defende um sistema comunista de partido único e uma redistribuição da terra justa, tinha iniciado a luta armada. Calcula-se que mais de 12 mil pessoas morreram em dez anos de insurreição, recrudescida após a chegada de Gyanendra ao trono em 2001.Gyanendra foi coroado após o massacre da família real em Katmandu e, em outubro de 2002, declarou o estado de emergência, destituiu o governo, liderado por Sher Bahadur Deuba, e dissolveu o Parlamento.Após dois gabinetes sob controle direto do rei, Gyanendra voltou a designar Deuba como primeiro-ministro em junho de 2004, para negociar a paz com a guerrilha e convocar eleições para abril de 2005.Entre janeiro e agosto de 2004, o governo e a guerrilha mantiveram um cessar-fogo para negociar, mas a trégua acabou, a violência aumentou e, em 1º de fevereiro de 2005, o rei dissolveu o governo, declarou o estado de emergência e assumiu todos os poderes.Nesta sexta-feira, Gyanendra anunciou pela televisão que transfere "ao povo", a partir deste momento, o poder com o qual governava de forma absoluta e se comprometeu a governar como um monarca constitucional.

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