Kay Nietfeld/dpa via AP
Kay Nietfeld/dpa via AP

Em amplo ataque cibernético, dados pessoais de centenas de políticos são vazados na Alemanha

Governo não confirma ter sido alvo de ação de hacker, mas reconhece que e-mails, faxes e até uma carta endereçada à chanceler Angela Merkel estão entre os arquivos; ministra de Justiça diz que objetivo da ação era 'sabotar confiança na democracia'

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2019 | 11h17
Atualizado 04 de janeiro de 2019 | 12h15

BERLIM - Os dados pessoais e documentos de centenas de políticos da Alemanha, incluindo a chanceler Angela Merkel, foram publicados na internet, informou o governo nesta sexta-feira, 4, sem confirmar se trata-se de um ataque cibernético.

"Dados pessoais e documentos de centenas de políticos e figuras públicas foram publicados na internet", afirmou a porta-voz do governo, Martina Fietz, em entrevista. O governo convocou uma reunião de emergência dos órgãos de ciberdefesa.

Ela também disse que nenhum "dado sensível" sobre Merkel foi publicado - entre os documentos, há dois e-mails da chanceler, bem como vários faxes e uma carta endereçada a ela. 

A emissora pública ARD, primeira a noticiar o caso, disse que seus jornalistas ainda não encontraram nenhum conteúdo crítico dos afetados.

De acordo com a imprensa alemã, os hackers publicaram dados que incluem detalhes bancários e de cartões de crédito, números de telefones celulares, conversas por e-mail e documentos de identidade de políticos de todos os principais partidos do país, exceto da Alternativa para a Alemanha (AfD, de extrema direita).

O vazamento de dados foi orquestrado a partir de uma conta no Twitter que tinha cerca de 17 mil seguidores no período de Natal, mas o governo só divulgou a informação nesta sexta.

"O governo não tem como confirmar ou negar neste momento se houve um ataque cibernético como já aconteceu no país", informou o porta-voz do Ministério do Interior, Sören Schmidt.

O gabinete de segurança de computadores (BSI, na sigla em alemão) afirmou no Twitter que foi "um ciberataque contra políticos" e explicou que estava "investigando intensivamente o assunto com a estreita coordenação das autoridades".

A ministra alemã da Justiça, Katarina Barley, denunciou "um ataque sério de quem quer sabotar a confiança na democracia e suas instituições", segundo a agência de notícias alemã DPA.

Série de ataques

Se Berlim confirmar que os dados foram obtidos a partir de uma ciberinvasão, terá sido o último de uma série de ataques tecnológicos recentes contra instituições política da Alemanha.

No ano passado, políticos disseram que uma potente invasão atingiu a rede de computadores do Ministério de Relações Exteriores do país.

Funcionários da área de segurança do governo culparam principalmente a Rússia pelas ações anteriores, incluindo o grupo de hackers APT28 que, segundo especialistas, está diretamente ligado a uma agência russa de espionagem. Experts acreditam que esse mesmo grupo estava por trás dos ataques durante a eleição presidencial nos EUA, em 2016.

"O vazamento dos dados de centenas de políticos da Alemanha é algo alarmante, mas ao mesmo tempo não é surpreendente", disse Mike Hart, da empresa de segurança online FireEye. 

Ele também relembrou as ações anteriores. "(Este caso) destaca a necessidade do governo de levar a segurança cibernética muito a sério", completou.

Até o momento, nenhum grupo assumiu a autoria do ataque. "Quem quer que seja o responsável, quer intimidar os políticos, mas não terá sucesso", disse Lars Klingbeil, secretário-geral do Partido Social-Democrata, membro da coalizão de Merkel. / AFP e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.