Dalai-lama aplaude proposta chinesa de diálogo sobre o Tibete

Porta-voz do religioso reitera que nenhum comunicado oficial da China para reiniciar negociação com enviado

Agências internacionais,

25 de abril de 2008 | 12h06

O dalai-lama saudou nesta sexta-feira, 25, a oferta chinesa para reabrir as negociações sobre o Tibete, depois de seis semanas de crise. Segundo a agência de notícias estatal chinesa, autoridades se reunirão com representantes do líder budista para retomar o diálogo sobre uma maior autonomia para a região.   Veja também:   China aceita negociar com dalai-lama   Tibetanos exigem que China liberte reencarnação do dalai   Entenda a questão do Tibete    A decisão assinala uma mudança nas táticas adotadas por Pequim. Desde março, quando os protestos agitaram o Tibete e áreas chinesas de maioria tibetana, as críticas da China ao dalai-lama só aumentavam. "Este é um passo na direção correta, porque somente com encontros face-a-face é possível conduzirmos uma solução para o assunto tibetano", declarou o principal conselheiro do dalai à AFP, Tenzin Taklha, assinalando que nenhum convite oficial foi feito até o momento.   "Por conta dos repetidos pedidos feitos pelo lado do dalai-lama para retomar as conversas, o departamento relevante do governo central será contactado e consultará o representante particular do Dalai nos próximos dias", relatou a agência, mencionando como fonte sigilosa um alto funcionário. "A política do governo central para com o dalai tem sido consistente, e a porta do diálogo se mantém aberta".   Dalai Lama, que fugiu do Tibete depois de uma revolta frustrada contra o comando chinês, em 1959, é considerado um traidor pela China e acusado de ter orquestrado os protestos de março. Ganhador do prêmio Nobel, o dalai-lama nega. Mas o Tibete virou exemplo para as manifestações anti-China que tumultuaram o revezamento da tocha olímpica pelo mundo, além de liderar os pedidos de boicote dos líderes mundiais aos Jogos.   A China também está sob pressão internacional para retomar as conversas com os enviados do dalai-lama e dar estabilidade ao Tibete, uma remota e montanhosa região ocupada pelas tropas comunistas em 1950. A tocha olímpica deve desembarcar na província no começo de maio, para ser levada ao topo do monte Everest. A passagem pela capital, Lhasa, deve acontecer em 19 de junho.   O Ocidente aplaudiu a iniciativa chinesa. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, qualificou como "grande passo" a proposta chinesa. Segundo comunicado divulgado por Paris, Sarkozy acredita que a medida traz "esperança real" de solução para o conflito. O ministro de Relações Exteriores britânico, David Miliband, afirmou que o anúncio é positivo. Em um breve comunicado, Miliband afirma que o Reino Unido e outros membros da comunidade internacional pediram reiteradamente um diálogo entre a China e o dalai-lama.   A União Européia expressou sua satisfação pelo anúncio de um reatamento próximo do diálogo. A Presidência eslovena da UE destacou, em comunicado, que seus esforços dos últimos meses "reforçaram a confiança na comunidade internacional, um fator que contribuirá para o respeito dos direitos humanos e para o êxito na preparação e a celebração dos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim". A UE também recordou que a disposição de Pequim para retomar o diálogo com o enviado especial do dalai-lama foi "explicitamente destacada" em carta enviada no último dia 16 pelo primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, para o atual presidente rotativo do Conselho Europeu, o primeiro-ministro esloveno, Janez Jansa.   Os Estados Unidos se disseram contentes com o anúncio chinês, e ressaltaram que o presidente George W. Bush estimulou o presidente chinês a iniciar o diálogo, segundo o porta-voz da Casa Branca Gordon Johndroe.

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