Dalai-lama condena conversão forçada

O dalai-lama uniu-se nesta quinta-feira a líderes do movimento nacionalista hindu em sua condenação à conversão forçada, tocando em uma das maiores controvérsias religiosas do Sul da Ásia. "Seja hindu, muçulmano ou cristão, seja quem for que seja forçado a se converter, isso é errado", disse o exilado líder budista depois de um encontro com religiosos hindus e membros de um grupo influente que deseja ver a Índia como um país estritamente hindu.Líderes do Conselho Mundial Hindu, com o qual o partido do primeiro-ministro da Índia, Atal Bihari Vajpayee, tem ligação, convidaram o dalai-lama para discutir a questão da conversão em virtude do Kumbh Mela, um festival hindu que ocorre às margens do Rio Ganges.O dalai-lama participou do encontro antes de se reunir com importantes religiosos hindus em uma cerimônia de orações dedicadas ao rio, onde milhões de peregrinos hindus participam do festival.Depois do encontro, o dalai-lama e outros líderes assinaram um comunicado conjunto afirmando: "Nós nos opomos à conversão induzida por qualquer religião que se utilize de meios de sedução". Membros do Conselho vêm criticando veementemente os islâmicos (a principal minoria indiana) e os cristãos e exigindo que o governo proíba o trabalho dos missionários e obrigue cristãos e muçulmanos a adorarem os deuses hindus.Durante sua rápida passagem pelo festival, o dalai-lama prestou homenagem ao rio, mas negou-se a se banhar em suas águas. "Estou muito feliz por estar aqui. Minha primeira peregrinação ao Kumbh foi em 1966", disse ele a jornalistas. Perguntado se não se uniria aos devotos, o dalai-lama respondeu: "Acho que não. A água está muito gelada".Aproveitando uma convergência planetária do Sol e da Lua - um fenômeno que, segundo o calendário religioso hindu, só se repetirá daqui a 144 anos -, cerca de 30 milhões de peregrinos se banharam nesta quarta-feira no rio para marcar o ápice do festival Kumbh Mela, a maior festa religiosa do mundo. O festival teve início em 9 de janeiro e dura 43 dias.

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