Dalai-lama condena suposta rede chinesa de hackers

O dalai-lama, líder espiritual do Tibete, afirmou hoje que independente de quem esteja vasculhando as informações dos computadores de seu governo tibetano em exílio, as informações roubadas parecem estar indo direto para o governo chinês. Os comentários ocorrem em um momento em que autoridades em Pequim negam que estejam planejando uma rede de espiões na internet. O ministro das Relações Exteriores, Qin Gang, chegou mesmo a zombar das acusações, classificando-as como um "vírus da Guerra Fria".

AE-AP, Agencia Estado

31 de março de 2009 | 15h25

As acusações ocorreram após a divulgação de um relatório na semana passada por um grupo de pesquisa canadense segundo o qual uma rede de hackers, com sede principalmente na China, estaria espionando documentos governamentais e de organizações privadas em 103 países, incluindo os computadores do dalai-lama e de outros exilados tibetanos.

O Information Warfare Monitor revelou que, embora suas análises apontem para a China como principal fonte da rede de hackers, ainda não há conclusões capazes de detectarem a identidade ou a motivação das ações. O trabalho do grupo foi focado inicialmente em alegações de que havia espionagem chinesa contra a comunidade exilada no Tibete.

"Mesmo alguns e-mails de meu escritório no norte de Dharmasala (onde o dalai-lama mora) para nossos secretários na área central de Dharmasala parecem ter chegado às mãos dos chineses", afirmou o dalai-lama. Porém, a China negou as acusações hoje, afirmando que tratam-se de mentiras que têm a intenção de alimentar a ansiedade criada pela crescente influência chinesa no mundo. O líder espiritual do Tibete está em Nova Délhi para comemorar os 50 anos desde que chegou à fronteira indiana.

Protesto

Em outro episódio envolvendo conflitos entre China e Tibete, um monge tibetano chamado Phuntsok Rabten, de 27 anos, que pediu protestos contra autoridades chinesas, foi encontrado morto em um morro no dia seguinte a uma perseguição policial, afirmou o monge exilado Konchog Norbu. Rabten havia fugido em uma moto depois que a polícia descobriu que ele estava distribuindo panfletos pedindo a tibetanos que abandonassem suas lavouras. O boicote tinha a intenção de protestar contra ações severas da China contra manifestantes em março do ano passado.

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