Dalai lama deixa formalmente os poderes políticos

Dalai transferiu autoridade para dirigentes tibetanos eleitos no exílio, mas seguesendo líder espiritual

Efe

30 de maio de 2011 | 08h28

NOVA DÉLHI - O dalai lama transferiu sua "autoridade formal" política aos dirigentes tibetanos eleitos no exílio, embora continua sendo o líder espiritual do Tibete, informou neste domingo, 29, a agência de notícias indiana "Ians".

 

"As remodelações que nós (o Parlamento tibetano) fizemos da Constituição, foram aprovadas ontem (domingo) por Sua Santidade", indicou o porta-voz da secretaria do Parlamento de Tibete, Norbu Tenzin, à "Ians".

 

"Os poderes administrativos e políticos do dalai lama serão legados sem reservas aos líderes democraticamente escolhidos", explicou Tenzin desde a cidade de Dharamsala (norte da Índia), sede do Governo no exílio.

 

O porta-voz acrescentou que o dalai manterá seu compromisso com a causa do Tibete e continuará sendo o líder espiritual de todos os tibetanos.

 

Segundo as emendas à Constituição aprovadas pelo Parlamento tibetano, os poderes que antes recaíam sobre o dalai como cabeça do Executivo, em virtude do artigo 19, foram delegados ao kalon tripa ou primeiro-ministro, cargo que é do professor universitário Lobsang Sangay, de 43 anos, desde as eleições do dia 20 de março.

 

O Parlamento também aprovou que o título do "Governo tibetano no exílio" seja modificado pelo de "Governo do Tibete".

 

No marco do novo estatuto, entre os direitos do dalai lama se incluem o de assessorar e encorajar pela proteção e a promoção do bem-estar do povo tibetano e continuar sendo participante nos esforços para alcançar uma solução satisfatória para a problemática do Tibete.

 

Aos 75 anos, o dalai lama, a cara global do movimento tibetano no exílio, surpreendeu a muitos quando no dia 10 de março anunciou que ia entregar o poder aos dirigentes eleitos.

 

O dalai lama, a quem a China acusa de líder separatista, fugiu do Tibete após uma revolta anticomunista em 1959 e desde então liderou o Governo tibetano na Índia, que não é reconhecido por nenhum país.

 

Cerca de cem mil tibetanos vivem no exílio na Índia.

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