Dalai Lama desperta reverência e frustração entre tibetanos

Os líderes dos protestosocorridos no Tibet afirmaram na segunda-feira estardecepcionados com a postura conciliadora adotada pelo DalaiLama em relação à China e que a maioria dos tibetanos nãocompartilha da opção dele pelo "caminho do meio". Mas ressaltaram que continuavam a reverenciar o líder. Dharamsala, o lar indiano do Dalai Lama e do governotibetano no exílio, tem sido o epicentro dos contundentesprotestos realizados por tibetanos exilados depois de soldadose policiais chineses terem isolado Lhasa, a capital do Tibet, afim de reprimir as violentas manifestações ocorridas ali. "O caminho do meio existe há 20 anos e nada resultou dele",disse Tsewang Rigzin, presidente do Congresso da JuventudeTibetana, a repórteres em Dharamsala. À noite, em Dharamsala, centenas de tibetanos têm realizadovigílias à luz de vela nas ruas e nos monastérios. Em Nova Délhi, centenas de manifestantes gritaram palavrasde ordem e queimaram bandeiras chinesas. A polícia prendeu aomenos 50 deles quando tentaram invadir os escritórios daOrganização das Nações Unidas (ONU) na cidade. A questão surgiu também no Parlamento indiano, quandomembros do partido nacionalista hindu, da oposição, abandonaramuma sessão para protestar contra o "silêncio" do governo arespeito da violência verificada no Tibet. Os manifestantes em Dharamsala defendem uma meta muito maisambiciosa do que a do Dalai Lama, mesmo que continuem exibindorespeitosamente as imagens dele. O líder espiritual deseja acriação de um Tibet realmente autônomo dentro da China, posturaessa descrita como a do "caminho do meio". Os manifestantesquerem a independência total. Os líderes dos protestos afirmam que a postura do DalaiLama não trouxe resultados até hoje e discordam do comunicadodivulgado por ele no domingo, afirmando que a China "merecia"realizar os Jogos Olímpicos. Ainda assim, há um cuidado em contrabalançar todas ascríticas com declarações de apreço pelo líder budista, 72. "Sua santidade continua a ser o nosso líder", afirmou B.Tsering, dirigente da Associação das Mulheres Tibetanas,sentada ao lado de Rigzin. "Ele continua a ser nossa fonte deinspiração." Outros manifestantes ressaltam que poucos viajaram tanto echamaram tanta atenção para a causa tibetana quanto o DalaiLama. No entanto, quando questionado sobre se o Dalai Lama ajudouna campanha deles, Rigzin limitou-se a observar que o líderbudista encontrava-se agora quase aposentado e que cabia a cadaum dos tibetanos definir o perfil do movimento.

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