Yuriko Nakao/Reuters
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Dalai Lama diz que espera reforma política após transição na China

Para o líder espiritual tibetano, futuro líder chinês não terá alternativa senão iniciar reformas

Reuters

05 de novembro de 2012 | 09h47

YOKOHAMA, JAPÃO - O futuro líder chinês, Xi Jinping, não terá alternativa senão iniciar reformas políticas duradouras, assim como já ocorreu com as reformas econômicas, disse nesta segunda-feira, 5, o Dalai Lama, líder espiritual tibetano no exílio. Xi, hoje vice-presidente, deve substituir o presidente Hu Jintao como secretário-geral do Partido Comunista, durante o congresso do PC, que começa na quinta-feira. Em março, ele deve assumir a Presidência, encerrando uma transição que acontece a cada década no regime chinês.

 

"Agora a era de Hu Jintao é passado, agora Xi Jinping está chegando como presidente. Acho que não há alternativa exceto alguma mudança política, portanto uma reforma política. A reforma econômica já está aí", disse o Dalai Lama a jornalistas em visita ao Japão. Ele admitiu que as reformas econômicas resultaram em benefícios para a China, mas disse que o recurso à força por parte das autoridades contraria seu objetivo de criar uma "sociedade harmoniosa". "Usar a força acarreta suspeita, medo. Isso é o contrário de harmonia".

 

A China acusa o Dalai Lama de ser um separatista e de estimular protestos contra o domínio chinês sobre o Tibet, incluindo mais de 60 autoimolações na região e seus arredores desde março de 2011. O Dalai Lama nega ser um separatista, e diz que só deseja uma autonomia significativa para a sua região montanhosa.

O líder budista afirmou esperar que, se a China se democratizar, isso ajudará a resolver atritos com seus vizinhos, como a disputa territorial entre China e Japão por causa de várias ilhas. As relações sino-japonesas se deterioraram fortemente desde setembro, quando o governo japonês nacionalizou ilhas reivindicadas por Pequim, o que motivou protestos anti-Japão em várias partes da China. Autoridades ministeriais dos dois países disseram que se reuniram na segunda-feira na China e decidiram manter seu diálogo.

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