Dalai Lama e prêmios Nobel advertem contra nacionalismo

O Dalai Lama, o arcebispo sul-africano "antiapartheid" Desmond Tutu e a norte-irlandesa Betty Williams fizeram nesta quinta-feira uma chamada pela paz em Hiroshima, e advertiram para o perigo dos nacionalismos extremos. "Devemos transformar a indiferença com a dor dos outros, principalmente das crianças, dos fracos e dos idosos, em uma preocupação global. O problema começa com cada um e a solução também começa em cada um", afirma a declaração assinada por esses três prêmios Nobel da Paz na cidade japonesa. Os prêmios Nobel destacaram que sua presença na Conferência Internacional da Paz, que aconteceu durante dois dias em Hiroshima, significa também uma rejeição ao poderio nuclear, considerando o simbolismo desta cidade, a primeira a sofrer um ataque nuclear, em 6 de agosto de 1945. A conferência aconteceu depois de a Coréia do Norte ter feito seu primeiro teste nuclear, em 9 de outubro. A mensagem ressalta que essa cidade do sudoeste do Japão é "o lugar de dor real da arma de destruição em massa mais destrutiva já criada". Além disso, Hiroshima é "uma fonte dinâmica de inspiração para colocar em primeiro lugar não a própria nação, cidade ou grupo, mas a comunidade global e o planeta como um todo", acrescenta a declaração. O Dalai Lama ressaltou os aspectos comuns entre as diferentes religiões, como a salvação dos seres humanos. Williams propôs mudar o atual sistema de educação para fazer com que as crianças compreendam que "há muitas religiões" que têm muito em comum. Tutu acrescentou sua confiança em que o Japão, com a experiência das destruições de Hiroshima e Nagasaki, ajude outros países em situação difícil. Ao final da conferência, os três prêmios Nobel visitaram o Parque da Paz, construído em memória das vítimas dos ataques nucleares.

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