Dalai-lama pede pelo fim de protestos contra os Jogos Olímpicos

Líder tibetano diz que aceitaria assistir ao evento; governo exilado reitera apelo pelo fim das manifestações

Agências internacionais,

21 de maio de 2008 | 11h22

O dalai-lama pediu nesta quarta-feira, 21, pelo fim dos protestos promovidos por tibetanos contra os Jogos Olímpicos de Pequim, segundo afirmou o jornal britânico The Guardian. O líder espiritual exilado na Índia pediu ainda para que o premiê britânico, Gordon Brown, aceite o convite para participar do evento. Os comentários do dalai feitos nesta quarta surgiram após o governo tibetano exilado pedirem pelo fim das manifestações em território chinês enquanto o governo enfrenta o desastre provocado pelo terremoto que atingiu o país na semana passada e matou mais de 41 mil pessoas.   Veja também: Entenda a questão do Tibete    O líder tibetano chegou na terça-feira ao Reino Unido para uma visita de 11 dias. A viagem gerou controvérsia pela decisão de Brown de se reunir - no próximo dia 23 - com o dalai-lama no Palácio de Lambeth, residência do arcebispo de Canterbury em Londres, em vez de o encontro acontecer em seu escritório oficial de Downing Street.   Em seu site, o governo exilado, baseado na cidade indiana de Dharamsala, apelou para que os tibetanos não façam demonstrações contra Pequim por pelo menos um mês. "Para expressar a nossa solidariedade com o gigantesco desastre natural que atingiu a China, tibetanos pelo mundo devem evitar demonstrações na frente das embaixadas chinesas nos países em que vivem", diz o comunicado. A nota ainda encoraja os tibetanos a "explorar as possibilidades de se estabilizar as relações sino-tibetanas."   Durante a estada em Londres, em seu segundo dia de visita, o dalai-lama pediu pelo fim completo de qualquer protesto relacionado aos Jogos de Pequim. "Apelo particularmente aos tibetanos", disse ele, segundo o Guardian. "Eles não deveriam ter atrapalhado o revezamento da tocha. Deixei bastante claro desde o início que nós apoiamos totalmente as Olimpíadas. A tocha é parte disso. Devemos protegê-la."   O religioso de 72 anos disse ainda que aceitaria presenciar os Jogos, embora admita que isso dificilmente acontecerá. "Não tenho indicações sobre um convite para assistir aos Jogos Olímpicos", ele disse. "Alguns chineses querem que eu vá. Se a situação no Tibete melhorar e existir uma solução a longo prazo, estarei pronto para assistir ao evento", afirmou.   O dalai Lama, que fugiu do Tibete depois de uma revolta frustrada contra o comando chinês, em 1959, é considerado um traidor pela China e acusado de ter orquestrado os protestos de março. Ganhador do prêmio Nobel, o dalai-lama nega. Mas o Tibete virou exemplo para as manifestações anti-China que tumultuaram o revezamento da tocha olímpica pelo mundo, além de liderar os pedidos de boicote dos líderes mundiais aos Jogos.

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