Dalai-lama pode renunciar se violência se agravar no Tibete

Líder religioso admite deixar representação política se protestos "saírem do controle" na província chinesa

Agências internacionais,

18 de março de 2008 | 07h27

O dalai-lama ameaçou nesta terça-feira, 18, renunciar do cargo de líder do governo do Tibete no exílio caso os incidentes na província ocupada pela China há quase 50 anos fuja do controle. A declaração foi feita no mesmo dia em que o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, acusou o Nobel da Paz de incitar a atual onda de violência que tomou conta do Tibete desde o último dia 10, quando se iniciaram os protestos de tibetanos contra o domínio chinês.   Veja também: Entenda os protestos no Tibete China acusa dalai-lama de ser responsável por distúrbios Conselho da ONU deve manter silêncio sobre crise no Tibete   Os protestos no Tibete se tornaram incrivelmente violentos na semana passada. Nesta terça, o dalai-lama pediu moderação aos tibetanos e afirmou que "se as coisas saírem do controle", sua "única opção será a renúncia completa"   Em uma coletiva de imprensa, Wen disse ainda que a alegação do líder espiritual tibetano - que vive no exílio na Índia - de que as autoridades chinesas cometeram um "genocídio cultural" no Tibete "não passa de mentira". "Há ampla evidência provando que esse incidente foi organizado, premeditado, arquitetado e incitado pelo bando do dalai-lama", disse Wen. "Isso tudo revelou que as alegações do bando do dalai-lama de que eles buscam não a independência, mas sim o diálogo pacífico, não passam de mentiras." Wen acusou também os manifestantes de tentar sabotar os Jogos Olímpicos de Pequim, que começam no dia 8 de agosto.   Os comentários foram os primeiros de Wen desde o início da onda de violência. Ele disse ainda que a resposta do governo chinês aos protestos foi moderada, de acordo com a lei. Segundo o governo chinês, 13 pessoas foram mortas por manifestantes em Lhasa, a capital do Tibete. No entanto, tibetanos que vivem no exílio disseram que pelo menos 80 manifestantes foram mortos pelas forças de segurança chinesas durante a repressão aos protestos.   Tenzin Takhla, porta-voz da administração tibetana exilada, afirmou que se "os tibetanos escolheram o caminho da violência, o dalai-lama terá que renunciar porque ele é completamente comprometido com a não-violência". "Ele renunciaria como líder político e de Estado, mas não como dalai-lama. Ele sempre será o dalai-lama".   Segundo a BBC, o monge Tenzin Gyatso, que é a 14ª encarnação do espírito do dalai-lama, recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1989 e o congresso norte-americano é simpático à sua causa pela independência do Tibete.   O governo tibetano no exílio elevou sua conta de vítimas fatais dos confrontos entre autoridades chinesas e manifestantes tibetanos para 99, disse um porta-voz na terça-feira. "Confirmado, temos checado os vários relatos", disse Thubten Samphel, porta-voz do governo no exílio, à Reuters. Ele acrescentou que 19 tibetanos morreram em novas manifestações nesta terça-feira.   Os protestos começaram como uma reação à notícia de que monges budistas teriam sido presos depois de realizar uma passeata para marcar os 49 anos de um levante tibetano contra o domínio chinês e já são considerados os maiores e mais violentos dos últimos 20 anos.   As demonstrações no Tibete foram as mais violentas desde 1989, quando protestos contra a China levaram à imposição da lei marcial por 13 meses na região, na época governada pelo atual presidente, Hu Jintao. Também em 1989, Pequim enfrentou a mais séria ameaça à sua autoridade quando milhares de estudantes acamparam por dois meses na Praça da Paz Celestial para pedir reformas democratizantes. Tanto os atos de Lhasa quando os de Pequim foram reprimidos pelo Exército de Libertação Popular.

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