Damas de Branco atraem apoio externo e irritam Havana

Críticas da Europa, dos EUA e de países latino-americanos esfriam clima de diálogo com o governo da ilha

HAVANA, O Estadao de S.Paulo

22 de março de 2010 | 00h00

O saldo dos protestos das mulheres dos presos políticos cubanos, as Damas de Branco, e das greves de fome de dissidentes parece ser uma frustração com Cuba na Europa, nos EUA e em alguns países da América Latina além de uma consequente piora no clima para o diálogo, especialmente entre Havana e os europeus. Ontem, Laura Pollán, líder do movimento Damas de Branco, comemorou a solidariedade de diversos diplomatas europeus e americanos durante as marchas da semana passada.

"Acho que conseguimos chamar a atenção do mundo para que eles vejam, primeiro, que é preciso pressionar mais Cuba para soltar os presos políticos. Segundo, que essa estratégia dos últimos quatro anos de receber as autoridades cubanas de braços abertos precisa ser revista", disse Laura ao Estado.

O governo cubano está incomodado com a reação da Europa e a troca de críticas ameaça minar os esforços do governo espanhol, que acreditava que a forma de avançar na libertação dos dissidentes era alterando a política europeia para Cuba (ela exige avanços da ilha em direção à democracia e apoia a relação com a dissidência). "A extrema direita e o fascismo prosperam nessa Europa que impõe com fervor a Cuba a sua interpretação dos direitos humanos, quando isso lhe convém", dizia ontem o jornal Granma sobre uma marcha neonazista na Europa.

No dia 10, o Parlamento Europeu aprovou uma moção condenando a "evitável e cruel" morte do preso político Orlando Zapata, após uma greve de fome. Desde 2006, quando Fidel Castro passou o poder para seu irmão, Raúl, foi adotada uma série de movimentos para reduzir o isolamento de Cuba. A ilha foi incorporada no Grupo do Rio, derrubou-se a medida que a suspendia da OEA e os EUA fizeram alguns acenos. Hoje, ainda há os que defendem essa aproximação. O argumento é que as pressões também podem ser inócuas se Cuba estiver isolada e achar que todos são seus inimigos. / R.C.

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