Damas de Branco são presas em Cuba, apesar de novo presidente

Damas de Branco são presas em Cuba, apesar de novo presidente

Entre as detidas está Berta Soler, líder do grupo, que havia previsto mais perseguições e prisões sob Díaz-Canel

O Estado de S.Paulo

22 Abril 2018 | 22h57

HAVANA - Pelo menos nove integrantes do grupo opositor Damas de Branco foram presas e impedidas de realizar sua tradicional marcha, no primeiro domingo após a posse do novo presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel.

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Entre as detidas está Berta Soler, líder do movimento que luta pela libertação dos mais de 80 presos políticos e a mudança do “regime totalitário” na ilha.

Segundo disse ao Diario de Cuba o ex-preso político Ángel Moya, marido de Berta, somente cinco das Damas de Branco conseguiram sair à rua e ir à missa para se manifestar.Há mais de 13 anos as Damas de Branco desfilam todos os domingos em Havana exigindo a libertação de todos os presos políticos e em diversas ocasiões foram detidas pelas autoridades.

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Segundo Moya, um cinegrafista com credencial de uma mídia brasileira também foi interceptado perto da sede do grupo. "Não sabemos se ele foi detido ou se simplesmente ordenaram que deixasse o local", declarou Moya.

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Na semana passada, em entrevista ao jornal espanhol ABC, Berta declarou que, mesmo com a saída de Raúl Castro da presidência as perseguições e as prisões continuariam. Segundo ela, nada ia mudar, pois a escolha de Díaz-Canel foi feita por Raúl Castro, não houve eleições livres para que o povo pudesse escolher nas urnas oum novo líder. "Não se espera nenhuma mudança, além da mudança de nome. É um regime totalitário de ditador, onde será colocado um presidente que não foi eleito pelo povo e a repressão deve aumentar", disse.

A organização Damas de Branco surgiu em abril de 2003 em resposta à chamada Primavera Negra de Cuba, uma onda de repressão que acabou com 75 opositores presos e condenados a penas de até 30 anos de prisão.

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