''Damasco deve fazer concessões'', diz Kerry

Senador condiciona normalização das relações EUA-Síria ao fim do apoio a Hamas e Hezbollah

Reuters e Efe, GAZA, O Estadao de S.Paulo

20 de fevereiro de 2009 | 00h00

Em um giro pelo Oriente Médio, o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado americano, John Kerry, condicionou a normalização das relações dos EUA com a Síria ao fim do apoio de Damasco à milícia xiita libanesa Hezbollah e ao grupo radical palestino Hamas. "Falar não basta, especialmente nesta parte do mundo. É importante que a Síria se mostre disposta a fazer uma série de concessões", disse Kerry. A notícia foi publicada na versão online do jornal israelense Yedioth Ahronoth. Segundo o site, Kerry disse que o afastamento desses grupos seria um sinal da intenção da Síria de alcançar a paz com Israel. Na quarta-feira, o presidente sírio, Bashar Assad, disse em entrevista ao jornal The Guardian esperar que os EUA reabram sua embaixada em Damasco e avancem na oferta do presidente Barack Obama de ampliar o diálogo com o mundo islâmico. "Seguimos conversando sobre a paz", disse Assad. Mas ontem a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) pediu que Damasco explique a procedência de partículas de urânio achadas numa região desértica, onde mísseis de Israel destruíram em 2007 uma suposta instalação nuclear. A suspeita é que o material seja parte de um programa atômico sírio. Kerry, ex-candidato democrata à presidência, deve chegar a Damasco no fim de semana. Suas declarações sobre a Síria foram feitas durante uma visita à Faixa de Gaza - a primeira de um funcionário americano de alto escalão à região desde que ela passou a ser controlada pelo Hamas, em 2007. Segundo o chefe da agência humanitária da ONU para a Faixa de Gaza, Karen Abu Zayd, citado pela rede de notícias BBC, Kerry recebeu por meio de funcionários da ONU uma carta do Hamas endereçada a Obama. Zayd não disse se o senador aceitou a carta nem deu indicações sobre seu conteúdo. Segundo Kerry, o objetivo de sua viagem era "avaliar de perto a situação" em Gaza e não reunir-se com membros do Hamas (considerados terroristas pelos EUA). O senador percorreu em um veículo da ONU áreas atingidas pelos bombardeios israelenses durante a ofensiva do início do ano, que deixaram 1.300 palestinos mortos.

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